• O Antagônico

A Delegada. A Propina. A Investigação. A Demissão a Bem do Serviço Público



Tem que ser muito ruim pra ser demitido na gestão Helder Barbalho. Ou, por outra, está totalmente desconectada do sistema e agindo em carreira solo, sem a benção dos cardeais. Uma dessas alternativas, ou todas, podem ser aplicadas ao caso da bela delegada da PC do Pará, Fabíola Martins Rabelo, que respondia pela delegacia do município de Alenquer, no oeste do Pará, e foi demitida "a bem do serviço público".


O decreto com a demissão da policial foi publicado na edição de quarta-feira (18), do Diário Oficial do Estado (DOE). Fabíola respondia processo administrativo disciplinar, instaurado no dia 20 de setembro de 2019, onde aparece como suspeita de recebimento de propina, quando era titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) do município de Itaituba, no sudoeste do estado.


Naquela ocasião, a delegada foi afastada pela justiça e foi proibida de manter contato com as testemunhas do caso denunciado à Corregedoria da Polícia Civil. O caso ocorreu no dia 26 de dezembro de 2018, quando um homem foi preso em flagrante por suposto crime de lesão corporal contra sua companheira. Depois de ser conduzido à DEAM, prestou depoimento, mas não foi preso, uma vez que não foi lavrado o auto de flagrante.


Segundo consta nos autos, ele informou à Corregedoria que a delegada teria cobrado a quantia de R$ 1.908,00, para, em troca, não dar prosseguimento ao flagrante, e sim tombá-lo somente por portaria, como foi feito. No seu entendimento, ele estaria pagando o valor a título de fiança para responder ao processo em liberdade.


De acordo com a denúncia, o homem pagou R$ 800, foi liberado e se comprometeu de repassar o restante no dia seguinte. Como o combinado, ele voltou à delegacia, mas Fabíola não se encontrava. Ele então entregou o restante do valor aos policiais de plantão, que estranharam a situação.


Uma denúncia anônima chegou ao conhecimento do Ministério Público do Estado que por sua vez, comunicou ao delegado superintendente da Polícia Civil do Tapajós, na época, o delegado Thiago Mendes. A delegada, ao tomar conhecimento da denúncia, procurou o homem para tentar devolver o dinheiro. Na mesma edição do DOE, foi publicada a demissão, também "a bem do serviço público" do policial Iann Mota Palheta, que era lotado em Almeirim. A pedido do MP, em agosto de 2018, o investigador foi afastado do cargo acusado da prática dos crimes de peculato e corrupção.

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