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A Fiocruz. A Covid. A Queda da Mortalidade. Belém Fora da Zona de Alerta

Belém está entre as cinco capitais do Brasil fora da zona de alerta, com relação a ocupação de leitos de UTI, por pacientes com Covid 19. As informações foram divulgadas nesta quinta-feira, 01, no Boletim da Fiocruz. A primeira é Rio Branco, com 48% de leitos ocupados. Cuiabá é a segunda, com 51%, seguida de Belém, com 52% e logo atrás Macapá e João Pessoa, ambas com 58%. No Brasil, cinco capitais estão com taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 iguais ou superiores a 90%: Palmas (91%), Aracajú (90%), Curitiba (95%), Campo Grande (91%) e Goiânia (92%). Quatro capitais estão com taxas superiores a 80% e inferiores a 90%: Boa Vista (87%), São Luís (88%), Rio de Janeiro (89%) e Brasília (81%). Treze capitais estão na zona de alerta intermediário, com taxas iguais ou superiores a 60% e inferiores a 80%: Porto Velho (65%), Manaus (63%), Teresina (sem informação direta; número estimado em torno de 73%), Fortaleza (75%), Natal (68%), Recife (69%), Maceió (73%), Salvador (70%), Belo Horizonte (68%), Vitória (63%), São Paulo (70%), Florianópolis (70%) e Porto Alegre (69%).

Estados

Quinze estados estão na zona de alerta intermediário (≥60% e <80%): Amazonas (63%), Pará (64%), Maranhão (79%), Piauí (76%), Ceará (74%), Rio Grande do Norte (72%), Pernambuco (76%), Alagoas (77%), Bahia (75%), Minas Gerais (75%), Espírito Santo (63%), Rio de Janeiro (63%), São Paulo (76%), Rio Grande do Sul (79%), Mato Grosso (75%). Quatro estados estão fora da zona de alerta: Rondônia (58%), Acre (37%), Amapá (55%) e Paraíba (59%).

As taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no SUS, observadas no dia 28 de junho de 2021, mostram quedas expressivas no indicador no Nordeste e nos estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, no Centro-Oeste. Tocantins, Paraná e Santa Catarina mantêm-se como os estados mais preocupantes, com a persistência de taxas iguais ou superiores a 90%. “É importante confrontar o comportamento das taxas de ocupação de leitos de UTI com os indicadores de incidência e mortalidade por Covid-19 nos estados e Distrito Federal e buscar entender eventuais movimentações divergentes", observam os pesquisadores.

Segundo o estudo, a vacinação começa a dar sinais de resultados positivos de forma mais sensível com a ampliação da cobertura de grupos etários de menos de 60 anos. O estudo verificou também que a situação dos leitos de UTI - que atingiu o nível máximo de sobrecarga e colapso em meados de março de 2021 - parece ir se consolidando em patamares melhores, ainda que em cenário de predominância de algum alerta, requerendo cuidados para evitar nova piora. “O sistema de saúde precisa se reorganizar em grande esforço de atendimento das demandas relacionadas à Covid-19, que ainda vão se colocar por um tempo, como a Covid longa e suas múltiplas manifestações incapacitantes, além de outras condições retidas em “fila de espera” neste e ano e meio de pandemia”. a Semana Epidemiológica 25, o país alcançou 18,5 milhões de casos e quase 516 mil óbitos confirmados desde o início da pandemia. Nesta última SE, que compreende o período de 20 a 26 de junho, foi observada a estabilidade da incidência de Covid-19 e uma queda da mortalidade. As diferenças entre as tendências de incidência de casos novos e da mortalidade podem ser explicadas pela campanha de vacinação, que priorizou os grupos de maior risco ou de maior exposição, como idosos, portadores de doenças crônicas e profissionais da saúde e de diversas outras profissões.

Hoje, a cobertura vacinal dentro desses grupos é mais ampla em relação ao restante da população. Ao mesmo tempo, a circulação de novas variantes do vírus pode aumentar a sua transmissibilidade sem que isso represente, no entanto, um aumento no número de casos graves com necessidade de internação. A tendência de redução da ocupação de leitos de UTI em alguns estados pode ser um reflexo dessa nova fase da pandemia no país. Entretanto, a transmissão permanece em patamares elevados, gerando casos mais graves entre os grupos populacionais não vacinados ou potencializados pela vulnerabilidade individual e social.

Por fim, é importante ressaltar que a queda relativa dos óbitos e internações é uma oportunidade para reorganizar o sistema de saúde. O reforço de medidas de prevenção, a promoção de campanhas de comunicação, a testagem da população e o rastreamento de contatos, assim como o atendimento das demandas represadas, são ações recomendadas.

O sistema de saúde precisa ser reorganizado para atender às demandas relacionadas à Covid-19, sejam elas imediatas ou as que se colocarão por um tempo, relacionadas à Covid longa e às suas múltiplas manifestações incapacitantes. Além disso, outros casos, retidos em “fila de espera” neste ano e meio de pandemia, precisam ser objeto de atenção dentro desse processo de reorganização do sistema de saúde. Na última Semana Epidemiológica, de 20 a 26 de junho, foi observada estabilidade da incidência de Covid-19, com registro de 72.000 mil casos novos por dia, em média. Paralelamente, foi verificada uma queda da mortalidade, com cerca de 1.700 óbitos diários. As oscilações observadas nesses indicadores confirmam a permanência de um alto platô de transmissão, muito superior ao vivido em meados de 2020. O número de casos oscilou ligeiramente, com queda de 0,2% ao dia, enquanto o número de óbitos teve queda de 2,5% ao dia.


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