• O Antagônico

A Fuga do Governador. A Ministra, a Decisão Dúbia e as Críticas. A CPI Recorre ao STF



O senador Omar Aziz (PSD-AM) afirmou que o Senado vai recorrer da decisão da ministra Rosa Weber. “Respeitamos a decisão da ministra Rosa Weber, mas acredito que o governador do Estado do Amazonas perde uma oportunidade ímpar de esclarecer ao Brasil e ao povo amazonense o que de fato aconteceu no Estado do Amazonas. O que aconteceu no Amazonas não é uma coisa rotineira: pessoas perderam a vida e o governador poderia explicar isso ao povo amazonense.”


A decisão da ministra Rosa Weber de tornar facultativo a ida do governador do Amazonas, Wilson Lima, a CPI da Covid, dividiu opiniões e recebeu duras críticas nas redes sociais. Para muitos, a ministra falou muito sem dizer nada, transformando o plenário da CPI em uma Câmara de Vereadores, com poderes limitadíssimos. A magistrada determinou que o governador poderia decidir, por livre e espontânea vontade, se compareceria à comissão, e ele, obviamente, decidiu não ir. Afinal, era essa a intenção dele, manifestada, de forma clara e inequívoca, no pedido de Habeas Corpus.


Na decisão, Weber diz que o governador, caso comparecesse, não deveria ser submetido a nenhum tipo de constrangimento, inclusive “físico”, o que gerou muitos burburinhos na abertura dos trabalhos da CPI na manhã de hoje. “Constrangimento físico ?” Indagou Omar Aziz durante a leitura da decisão da magistrada.


Em sua conta no Twitter, o senador Eduardo Braga (MDB-AM) disse respeitar a decisão do Supremo, mas lamentou “que o povo do Amazonas não tenha oportunidade de ouvir as explicações do governador”. Já o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) escreveu que a notícia “era muito previsível”. Para o senador Fabiano Contarato (Rede-ES), a medida do Supremo é didática como a expressão “cada macaco no seu galho”.


Na opinião do parlamentar, cabe às assembleias abrir CPIs para investigar seus governadores e demais autoridades estaduais. Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, o senador Humberto Costa (PT-PE) informou que, na reunião de hoje, os senadores vão solicitar estudo da Consultoria Jurídica do Senado que oriente a condução da investigação junto aos estados. Segundo o senador, no caso de governadores não poderem comparecer, secretários ou ordenadores de despesas poderão ser chamados para prestar esclarecimentos à CPI. Humberto disse ainda que os parlamentares devem votar requerimentos de quebra de sigilo, principalmente de comunicação, de integrantes e ex-integrantes do governo e confirmar depoimentos já colhidos e identificados pelos senadores como “não fiéis à realidade”.


Prevendo que a decisão da ministra seja transformada em salvo conduto para os demais governadores, o que é muito provável, o suplente da CPI da Covid-19, o senador Rogério Carvalho (PT-SE) disse que apresentará requerimento para transformar a convocação dos governadores em convites. Como convocados, os depoentes têm a obrigação de dizer a verdade.

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