• O Antagônico

A Governadora Ana Julia. O PT e os Barbalhos. A Ascensão e o Ostracismo

Atualizado: 4 de jan.



Na segunda matéria sobre as eleições governamentais no Pará O Antagônico relembra a trajetória da ex-petista Ana Julia Carepa que, de vereadora da capital, chegou a cadeira mais disputada da política paraense. Nas eleições estaduais no Pará em 2006, Carepa concorreu ao cargo de governadora do estado na legenda do PT e pela coligação “Frente Popular Muda Pará”, composta pelo PT, PSB, PCdoB, Partido Republicano Brasileiro (PRB) e Partido Trabalhista Nacional (PTN).


No primeiro turno das eleições, a chapa de Ana Júlia Carepa ficou na segunda colocação ao angariar 1.173.079 votos, o equivalente a 37,52% dos votos válidos, seguindo para a disputa do segundo turno. Já na segunda etapa das eleições, Carepa alcançou a soma de 1.673.648 votos, (54,93% dos votos válidos) e derrotou o candidato do PSDB, Almir Gabriel. O curioso é que dois anos antes, em 2004, nas eleições municipais de Belém, a então petista, concorreu ao cargo de prefeita tendo como vice a advogada Avelina Hesketh, também pela coligação Frente Belém Popular, composta pelo PT, PL, PSB e PCdoB. Obteve 300.840 votos (41,72% dos votos válidos), sendo derrotada pelo então senador Duciomar Costa, do PTB, que obteve 420.280, o equivalente a 58,28% dos votos válidos. Coisas da política.


Mas a eleição de Ana Julia como governadora do Pará, considerada até hoje um acidente de percurso e um ponto fora da curva, não foi por acaso. Carepa contou com a ascensão de Lula e se abraçou com Jader Barbalho, que neste ano se reelegeu deputado federal. A exemplo do plano que está sendo traçado hoje pelos grupos de Zequinha Marinho e Simão Jatene, nas eleições de 2006, a estratégia foi lançar Ana Julia, pelo PT, e José Priante pelo PMDB, tudo para garantir o segundo turno, onde, como planejado, os dois partidos se juntaram, superando os votos de Almir Gabriel, que àquela altura tentava retornar ao Palácio dos Despachos, já tendo sido governador por duas vezes.


Diga-se de passagem que nesta eleição, Simão Jatene, que era governador, não concorreu a reeleição, abrindo mão da candidatura para Almir Gabriel. Após a derrota, Gabriel se queixou de não ter recebido apoio de Simão Jatene, fator que teria sido decisivo no pleito. Na eleição seguinte, em 2010, rompido com Jatene, Almir declarou apoio a reeleição de Ana Julia. Porém, a petista, apoiada por Jader Barbalho e com o mesmo grupo que se elegeu em 2006, foi derrotada pelo tucano Simão Jatene, eleito para cumprir o seu segundo mandato como governador do Pará. Depois das eleições de 2010, Almir se afastou definitivamente da vida pública. Ele faleceu em fevereiro de 2013, em Belém, aos 80 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos.


Nesse pleito, Ana Julia concorreu a reeleição na legenda do PT e pela Coligação Frente Popular Acelera Pará, composta por 14 partidos: PT, PDT, PTN, PSB, PV, PCdoB, (PR),(PRB),(PP), (PTB), (PSC), (PHS), (PTC) e (PTdoB), sendo uma das maiores alianças da história da política paraense. No primeiro turno, a chapa de Ana Júlia Carepa angariou 1.267.981 votos (o equivalente a 36,05% dos votos válidos) e seguiu para a disputa do segundo turno. No entanto, de nada adiantou o apoio de Jader Barbalho e o número recorde de partidos aliados. Ana Julia, que obteve 1.477.609 votos no segundo turno, (o equivalente a 44,26% dos votos válidos) foi derrotada pelo candidato do PSDB, Simão Jatene, que teve 1.860.799 de votos.


Desde então, Carepa, que além de governadora e vereadora também foi deputada federal e senadora, parece ter contraído uma espécie de lepra eleitoral e nunca mais conseguiu se eleger a cargo público. Em outubro de 2017, ela deixou o PT após 30 anos de militância no partido, e anunciou seu ingresso no PCdoB. Já nas eleições estaduais no Pará em 2018, concorreu novamente ao cargo de deputada federal pelo PCdoB mas, angariando 54.058 votos, não suficientes para obter a vaga.

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