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A PF, O Coronel Secretário, A Surra no Preso, Os Audios e a Crise No Governo do Amazona



Outro escândalo, revelado nesta quarta-feira,09, complica ainda mais a situação do governador do Amazonas, Wilson Lima, que irá depor amanhã, quinta-feira, 10, na CPI da Covid. Ligações telefônicas gravadas e interceptadas pela Polícia Federal apontam uma conexão entre o atual titular da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), o Coronel da PM Louismar Bonates com grupo de extermínio. As gravações fazem parte de um inquérito sobre o assassinato do ex-policial civil Clidevar Lima, ocorrido em 2005.



Bonates: Eu tô lhe ligando só para lhe avisar que eu prendi um conterrâneo seu ainda agora. E demos um bocado de "porrada" nesse filho da p....
Outra pessoa: Enche a cara dele de "porrada". Esse filho da p..., meu irmão.
Outra pessoa: Encheu ele de bolo? (Bolo seria uma espécie de palmatória)
Bonates: Bolo é uma p.... Vou perder tempo lhe dando bolo. Tem coturno pra que?
Outra pessoa: Hein ?
Bonates: Tem coturno pra que ?
Outra pessoa: Isso, tá certo! Dá na boca desse filha da p.... É melhor mandar matar logo ele.
Bonates: Não.
Outra pessoa: Ele vai atrás de ti.
Bonates: Ele não vai, não.

Segundo a Polícia Federal, o corpo do ex-policial Clidevar Lima foi encontrado a poucos metros do sítio de Bonates. De acordo com a investigação da PF, o lugar era usado como ponto de encontro do secretário com outros policiais militares integrantes de um grupo de extermínio. Entre eles, o então chefe da inteligência da PM do Amazonas, coronel Felipe Arce Rio Branco.


Bonates alegou que "o corpo foi localizado em um ramal de acesso a vários sítios na zona rural de Manaus", e não no sítio que pertence a ele. Em novembro de 2005, a PF prendeu 23 suspeitos de fazer parte deste grupo de extermínio, inclusive o então coronel Arce. Bonates não foi preso, mas continuou sendo investigado. O processo foi encaminhado para a Justiça do Amazonas. O Ministério Público não denunciou Bonates, alegando falta de provas.


O secretário também apareceu nas investigações da Operação La Muralha, da Polícia Federal, em 2015. Segundo as investigações, ele teria feito um acordo com um dos chefes de uma facção criminosa que atua no Amazonas para diminuir as mortes no sistema prisional. Bonates negou ter conversado com o detento.Na época, ele era o titular da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). A investigação ainda está em andamento. O Estado foi palco de dois massacres de presos, em janeiro de 2017 e em maio deste ano.


Em nota , Bonate diz que em momento algum, foi chamado para prestar esclarecimentos à Polícia Federal e que todas as acusações levianas nasceram de declarações de um condenado da Justiça. Em uma gravação do mesmo ano, Bonates, então tenente-coronel da Polícia Militar , conversa com um amigo sobre a prisão de um suposto criminoso, que também teria sido agredido por ele.

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