• O Antagônico

A Prefeita de Ulianópolis, A Quadrilha, As Notas Frias e a Nomeação do Condenado


Diz um ditado latino que, para conhecer verdadeiramente uma pessoa, basta lhe dar o poder. Em Ulianópolis, município situado no sudeste paraense, a prefeita Kelly Destro, com menos de três meses no cargo, tomou várias decisões que se distanciam, e muito, do que prometeu nos palanques e caminhadas de campanha.


Ao que parece, ao invés de acender uma luz de esperança, a população de Ulianópolis criou um monstro. Logo que assumiu, Kelly Destro, mais conhecida como Kelly Uliana, iniciou uma perseguição sistemática aos funcionários públicos que não a apoiaram na caminhada rumo ao executivo municipal. Sem pensar duas vezes, a gestora demitiu contratados, remanejou e baixou o salário daqueles que estavam “do outro lado”.


Paralelo a limpeza ideológica, a nova prefeita tratou de fazer jus a máxima: “Mateus, primeiro os meus”, colocando em cargos chave os seus parentes e amigos mais próximos, inclusive, a quase totalidade de funcionários que trabalham em seu escritório de contabilidade. O resultado de tanta “lambança” não poderia ser mais desastroso: servidores insatisfeitos, eleitorado desconfiado e arisco, administração engessada e a economia estagnada. E isso é só uma pequena amostra do que será o resto do mandato.


Depois de receber várias denúncias, O Antagônico, a partir desta semana, começa a produção de uma série de reportagens, baseadas em documentos e fontes oficiais, relatando a história de Kelly Destro. O “conto de fadas” da contadora que virou prefeita.


A primeira matéria, que publicamos hoje, fala de um velho amigo de Kelly Destro, o técnico em contabilidade Gilson Brito dos Santos, recém nomeado pela prefeita como Presidente da Comissão de Licitação da Prefeitura de Ulianópolis. Até ai tudo bem, uma vez que trata-se de velhos amigos que se conheceram em Dom Eliseu, cidade onde reside a família de Destro e onde ela começou a operar com escritório de contabilidade e, por conseguinte, teve os primeiros contatos com o chamado “mercado da madeira”.


No entanto, o que muita gente em Ulianópolis não sabe é que Gilson Brito dos Santos, foi condenado, em setembro de 2019, pela Justiça Federal a 10 (dez) anos de prisão como operador da quadrilha do megaestelionatário Menandro Freire, que inseriu dados falsos no sistema do Ibama, para acobertar milhões de metros cúbicos de madeira de desmatamento ilegal, inclusive carvão vegetal, sem nenhum compromisso ambiental.


De acordo com a sentença do juiz federal Rubens Rollo de Oliveira, a conduta de Gilson Santos não é boa, por atuar no crime em maior escala do que em suas atividades normais de técnico em contabilidade. E o juiz ainda diz mais sobre o novo contratado de Kelly Destro.

“Sua personalidade é totalmente desviada pela ambição que o impele ao estelionato e crimes contra a fé pública. As circunstâncias revelam estar ligado no crime a pessoas da pior espécie, envolvidas em crimes análogos. As consequências foram gravíssimas, sobretudo para o meio ambiente, até hoje arrasado pelo desmatamento ilegal acobertado pelo Réu. Sua conduta contribuiu para o caos no setor madeireiro. Cabe destacar a incidência de crimes violentos (homicídio, tentativa de homicídio e ameaças) acontecidos por desavenças entre negociantes de créditos virtuais falsos."

Ora, as palavras do juiz federal falam por si só. Ou seja, o setor de licitação da prefeitura de Ulianópolis foi entregue, pela prefeita Kelly Destro, a uma pessoa

“...com personalidade totalmente desviada pela ambição, que o impele ao estelionato e crimes contra a fé pública”.

Trocando em miúdos, a relação de proximidade da atual prefeita de um condenado, a ponto da mesma o nomear para um cargo tão importante, reforça um velho adágio popular: “diga-me com quem andas e eu te direi quem tu és". A nomeação, por razões óbvias, parafraseando o rei Roberto Carlos, é ilegal, é imoral, ou engorda. O Antagônico contactou a prefeita para que a mesma comentasse a nomeação de Gilson Santos. Ela disse que a prefeitura iria enviar nota, o que não ocorreu até a publicação da matéria. A reportagem tentou contato e aguarda resposta do Ministério Público e da Justiça Federal.

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