• O Antagônico

As Eleições da FPF. A Chapa do Presidente. O Estelionatário e a Ata Suspeita



Há algo de podre rondando as eleições da Federação Paraense de Futebol, previstas para ocorrer na próxima terça-feira, 28. O atual presidente, Adelcio Torres, tenta abocanhar, sem previsão legal, o terceiro mandato a frente da entidade, algo que, nem o Estatuto, nem a Lei Pelé permite. Mas isso não é o mais grave. A gestão de Adélcio está envolta em um manto de obscuridade. Até mesmo a chapa encabeçada pelo presidente da FPF enfrenta sérios problemas. Um deles tem nome e sobrenome: Patrick Castelo Branco, membro e articulador da chapa de Adelcio Torres. Em 2016, ele foi preso em Belém acusado da prática de estelionato, ludibriando mulheres.


De acordo com as investigações, Patrick, que é filho de uma juíza aposentada seduzia suas vítimas para ter acesso às contas bancárias das mesmas. Em um dos casos, investigado pela Delegacia de Operações Especiais , DIOE, o golpe lesou uma vítima em R$ 243 mil reais. A prisão de Patrick ocorreu após uma das vítimas registrar o caso na polícia. Ela e Patrick tiveram um relacionamento amoroso de 3 meses. A mulher repassou ao estelionatário dinheiro para compra de carro e apartamento, mas o suspeito teria usado cheques sem fundos e ficado com o dinheiro. A vítima reuniu comprovantes de transferência bancária, cheques, e demais provas e entregou à polícia, que pediu a prisão preventiva, acatada pela Justiça.


Patrick Castelo Branco responde mais de 15 (quinze) processos, sendo a maioria por crimes de estelionato. Em um deles, teria se passado por servidor da Companhia de Habitação do Pará (Cohab), para receber dinheiro para facilitar a compra de imóveis. O curioso é que, na época em que foi preso, o hoje apoiador da chapa de Adelcio Torres, alegou insanidade, ficando recolhido no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em Santa Izabel, na Região Metropolitana de Belém. Mas esse é apenas um dos grandes problemas envolvendo o atual presidente da FPF. Tem mais.


Este ano, a Liga de Marapanin de Desportos entrou com uma Ação Judicial contra a Federação Paraense de Futebol (FPF) contestando a apresentação de uma ATA de Assembleia Geral, acusando a entidade de irregularidades na prestação de contas do ano de 2021. O documento em questão faz referência ao encontro de julho deste ano, quando mais de 120 presidentes dos clubes e Ligas Esportivas associadas à FPF assinaram um pedido para convocação de Assembleia Geral Extraordinária, afim de encontrar definir as concessões das Licenças de Funcionamento Anual dos Filiados.


Entretanto, apesar do recolhimento das assinaturas necessárias para viabilizar a realização da Assembleia Geral Extraordinária, a direção da Federação não acatou o pedido dos clubes e ligas desportivas. Segundo a gestão da entidade, não havia quórum suficiente para abrir uma AGE, sendo preciso 2/3 dos filiados para isso. Outro ponto é o fato da entidade não divulgar o número total de filiados, tornando privada uma informação que deveria ser pública.


A Liga de Marapanin solicitou ainda, em juízo, na Ação Judicial que tramita na 15ª Vara Cível de Belém, a comprovação da prestação de contas de 2020. Conforme consta no Estatuto da entidade e na Legislação Brasileira, a Federação Paraense de Futebol é obrigada a prestar contas todo ano com todos os seus filiados (clubes e ligas). A convocação para tal reunião deve ser feita para todos os associados e a apresentação dos documentos por meio de uma Assembleia Geral específica.


No entanto, a entidade não apresentou o documento com a prestação de contas e publicou, em maio deste ano, através do site da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), um relatório informando o que foi recebido e gastos, em termos financeiros, e dizendo que o documento havia sido aprovado por unanimidade no dia 3 de abril de 2021, o que não aconteceu, visto que nenhum filiado foi convocado para tal Assembleia Geral. Em meio a tudo isso, a atual gestão da FPF entrou em contradição ao maquiar a ATA da reunião que teria acontecido no dia 3 de abril de 2021.


No site da CBF consta que a reunião aconteceu no dia 4 de abril, um dia depois do dito inicialmente, mas no relatório apresentado pela FPF à justiça, a data da Assembleia Geral está marcando o dia 28 de junho, três meses depois do dito no site da CBF.


Além disso, uma das pessoas que - supostamente - assinou a ATA da reunião, chegou a registrar um Boletim de Ocorrência e em seguida prestou depoimento ao Ministério Público do Estado alegando que nunca esteve presente na Assembleia Geral, como constava no documento publicado pela Federação Paraense de Futebol. O Ministério Público instaurou um procedimento de investigação por conta dos fatos citados e pelo uso de dinheiro público sem prestação de contas.


Em resposta à Ação Judicial da Liga de Marapanin, a Justiça Comum deu o prazo de 15 dias à Federação Paraense de Futebol para que os fatos fossem esclarecidos, aplicando multa diária de R$ 10 mil por dia de descumprimento da decisão. Apesar disso, a entidade recorreu da decisão e não acatou a decisão judicial.

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