• O Antagônico

As OSs. O Operador do Nicolas. A Prisão em Goiás. O Instituto Panamericano. O Juiz e a Audiência



O juiz federal Antonio Carlos Campelo realiza daqui a pouco, às 11 horas da manhã desta sexta-feira, 17, a audiência de custódia, via videoconferência, do preso Gilberto Torres Alves Júnior, que está custodiado na Superintendência da Polícia Federal em Goiás. Para refrescar a memória do leitor, Gilberto teve a prisão preventiva decretada no dia 18 de agosto deste ano, quando o magistrado decretou as custódias de 61 envolvidos na chamada Máfia das OSs que desviou mais de R$ 800 milhões de verba da saúde que deveria ser usada no combate à pandemia.


Gilberto é o responsável financeiro do Instituto Panamericano de Gestão - IPG, tendo função de destaque no âmbito da Organização Criminosa à medida que possuía livre disposição da movimentação financeira do IPG. Ele é diretamente subordinado a Nicolas Tsontaski, obedecendo suas ordens e prestando conta da movimentação financeira do IPG, além de efetuar repasses para a Organização Criminosa.


Através de conversa via WhatsApp, dia 14 de julho de 2020, extraídas dos aparelhos celulares apreendidos quando da deflagração da Operação S.O.S., constatou-se que Nicolas encaminhou áudio para Manoel pedindo para que ele entrasse em contato com Gilberto Torres, a fim de que este transferisse recursos do Instituto Panamericano para Nicolas. Em ato posterior, Manoel encaminha a Nicolas o comprovante de transferência bancário no valor de R$ 401.100,00 (quatrocentos e um mil e cem reais) movimentados da conta do IPG para a da empresa Minotauro, ocasião em que é possível identificar que Gilberto foi o responsável pela operação.


Destacou, a autoridade policial, que a Minotauro não possuía qualquer contrato com a OS que justificasse o repasse dos valores. Frise-se que a Minotauro recebia valores por transferências bancárias diretamente da conta do Instituto Panamericano, que administrava três hospitais estaduais: Hospital de Campanha de Santarém, Hospital Regional Castelo dos Sonhos (Itaituba) e Hospital de Campanha de Breves.


Também foi detectado o repasse de R$ 2.100.001,00 (dois milhões, cem mil e um reais) ao IPG, referente ao Hospital Regional de Breves no Marajó e R$ 4.200.001,00 (quatro milhões, duzentos mil e um reais) referente ao contrato do Hospital de Santarém. Entretanto, em 03 de agosto de 2020, Manoel mandou mensagem para Nicolas informando do recebimento dos valores pelo IPG, ocasião em Nicolas pede para Manoel dizer a Gilberto que dos R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais) transferidos, R$ 5.000.000,00 (cinco milhões) já estavam “comprometidos” e, por tal motivo, o hospital deveria ser gerido apenas com R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Dando a entender, desta forma, que mais de 80% (oitenta por cento) do valor repassado à Organização Social seria desviado para a conta da Minotauro.


Gilberto e Nicolas teriam acordado que R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) seriam desviados do Hospital Regional de Itaituba. No dia 18 de setembro de 2020, Nicolas pede para Manoel, via áudio de WhatsApp, que este entre em contato com Gilberto para que, do total de oito milhões de reais repassados ao IPG para administrar o Hospital Regional de Itaituba, fossem desviados cinco milhões.


Em outras conversas ocorridas nos dias 20 e 21 de agosto de 2020, Nicolas encaminha a Manoel, por meio do WhatsApp, vários comprovantes de transferência da Minotauro para o pecuarista de Paragominas Wlademir Pedro Dall Bosco. As transferências decorrem de contratos de arrendamento das fazendas Aurora, Ipiranga e Ipixuna pertencentes a Dall Bosco, demonstrando, dessa maneira, que a Minotauro não era utilizada para fins de lavagem somente como “conta de passagem”, mas de outras formas, a exemplo da aquisição patrimonial dissimulada.

”Por meio de conversas constantes nos celulares apreendidos no bojo da Operação SOS, conclui-se que o Auto Posto João Paulo II é outra empresa administrada, de fato, por Nicolas Tsontaski, em parceria com seu pai, José Arnaldo Izidorio Morais, mas que está registrada em nome de Alexandre Jean Tsontaski e Raimundo Rodrigues da Silva, que seriam seus “testas de ferro”.
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