• O Antagônico

Helder Barbalho, Os Escândalos de Corrupção. O Novo Procurador e o Silêncio da Justiça



Há algo de podre no Estado do Pará. Sucessivos escândalos de corrupção, envolvendo o 1º escalão do governo de Helder Barbalho, ganharam os noticiários do país. Neste cenário, com uma Assembleia Legislativa de joelhos, a grande mídia comprometida e uma justiça omissa, o Pará vive tempos de muita incerteza.


Nesta segunda-feira, 12, toma posse o novo Procurador Geral do Ministério Público do Estado do Pará, Cezár Mattar. O seu antecessor, Gilberto Valente, fez o dever de casa, oferecendo várias ações na justiça mostrando a podridão que se instalou dentro da engrenagem do Governo do Estado, na gestão de Helder Barbalho. O que virá com a posse de Mattar é uma incógnita: Isso porque, via de regra, o novo procurador foi escolhido na lista tríplice por Helder Barbalho. Diga-se de passagem, o direito de escolher é uma prerrogativa legal dos governadores. Até ai nada de ilegal. No máximo imoral, se consideramos a Lei que criou tal prerrogativa.

Mas a questão é muito mais abrangente. Na gestão de Gilberto Valente, aterrissaram no TJE do Pará inúmeras ações contra o mandatário do Estado. No entanto, solenemente, a justiça segue em silêncio, sem apreciar os principais pedidos, dentre eles o afastamento e pedido de prisão do chefe da Casa Militar, e bloqueio de bens de vários envolvidos no chamado “Covidão”.


Em uma das ações, que resultou no pedido de afastamento do coronel Costa Júnior, salta aos olhos uma questão gravíssima, que compromete a segurança das autoridades constituídas: Um Procurador Geral de Justiça sendo seguido nas ruas por um agente da Polícia Federal a serviço do Governo do Estado.


Ora, independente de quem seja o governador ou o procurador geral, ou se existam rusgas entre si, (como quer fazer crer Helder Barbalho), é inadmissível colocar em risco as instituições. Trata-se de uma situação temerária que exige uma resposta rápida da justiça paraense, sob pena de falência do sistema de justiça. Esta flagrante e preocupante apatia da justiça e dos poderes constituídos nos remete ao poema de Bertolt Brecht:

Primeiro levaram os negros Primeiro levaram os negros Mas não me importei com isso Eu não era negro Em seguida levaram alguns operários Mas não me importei com isso Eu também não era operário Depois prenderam os miseráveis Mas não me importei com isso Porque eu não sou miserável Depois agarraram uns desempregados Mas como tenho meu emprego Também não me importei Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém Ninguém se importa comigo.

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