• O Antagônico

Helder e as OSs. O Gordo, O Parcifal e as Vacas do Amado Batista


Troca de informações entre o MP do Pará e o Gaeco de São Paulo revelam como a máfia das OSs se instalou no Estado do Pará. Um dos integrantes da Organização Criminosa, o médico Lauro Henrique Fusco Marinho, vulgo “professor”, está atualmente recolhido no Centro de Ressocialização de Araçatuba, por determinação do Ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça.


Na denúncia proposta pelo Ministério Público de São Paulo, com base nas investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia Seccional de Araçatuba, são anexadas diversas degravações de conversas sobre os crimes praticados pelo bando. No relatório do Gaeco de São Paulo é descrito como a Organização Criminosa se estruturou no Estado do Pará.


A investigação aponta vários diálogos de Nicolas Andre Tsontakis Morais, o “Gordo”, apontado como o tentáculo da organização no Estado. Em setembro do ano passado, Nicolas foi preso em Belém, em uma operação da Polícia Federal denominada “SOS”. A mesma operação fez buscas no gabinete do governador Helder Barbalho. Nicolas é apontado como o intermediário entre médicos e empresários de São Paulo e a alta cúpula do governo do Pará.


A influência política exercida por Nicolas fica bastante evidente no diálogo captado no dia 8 de maio de 2019, quando ele diz que está indo ao Palácio do Governador, indicando proximidade e acesso aos políticos locais.

Nicholas - Oi... – Letícia - Oi doutor tudo bem? Nicholas - Oi doutora. – Letícia - Tudo bem. Nicholas - Tudo bem, a senhora pode vim no meu escritório hoje a noite ou mais tarde. Letícia - Agora não pode não. Nicholas - Agora, agora estou saindo indo no palácio. O governador mandou me chamar e já volto. Então deixa eu voltar coisa de meia hora. Meia hora eu ligo para a gente combinar. Letícia - Tá bom.

Desde que as organizações assumiram as administrações dos hospitais paraenses, em várias oportunidades diferentes, Nicolas mostrou seu poder de mando e desmando, apresentando-se até mesmo como “dono” do Hospital Abelardo Santos e da organização social.

Nicholas - A senhora está aí no Abelardo. Mulher - Estou aqui na entrada o guarda está pedindo o papel para mim. Nicholas - Passe o telefone para ele. Mulher - Só um momento, quer falar com alguém. Homem - Com quem a senhora está falando. Nicholas - (?) libere a entrada desta moça quem está falando é o André ok. Homem- Seu André é da onde. Nicholas - Eu sou seu patrão, sou o dono da unidade. Pode liberar ela entrar. Pode liberar e bota ela para mim sentando em uma cadeira lá na recepção por favor (?) obrigado. Homem- Ok o senhor que manda.

O relatório indica também que Nicolas, utilizando a falsa identidade Nicholas Freire, figurava como procurador da Organização Social Instituto Panamericano de Gestão (IPG), entidade responsável pela gestão de hospitais de campanha em Santarém e Breves, no estado do Pará. Além disso, não são poucos os diálogos que sugerem Nicolas envolvido também em outros investimentos, como aviões, fazendas e gado.


Em uma das conversas, o grupo conversa sobre uma viagem que fizeram ao Estado do Mato Grosso, em um avião de Nicolas, precisamente na fazenda do cantor Amado Batista, de quem compraram 8 mil vacas. Nas conversas também é citado, várias vezes o nome de Parcifal Pontes, ex-chefe da Casa Civil de Helder Barbalho e que também foi preso pela PF.



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