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Helder. O Ministério. O Homem da Mala. A PF. A Operação e as Buscas



Antonio de Pádua de Deus Andrade: este seria o nome do homem da mala de Helder Barbalho. Uma fonte de dentro do governo do Pará revelou que Pádua, que na semana passada estava sendo caçado pela PF, sempre foi pessoa de confiança de Helder, responsável por receber e repassar valores em transações nada republicanas.

“Ele falava abertamente que repassou, várias vezes, mala com dinheiro, às vezes R$ 1 milhão e até R$ 2 milhões ao Helder, em hotéis de Brasília”.

Disse a fonte a O Antagônico revelando que o governador do Pará tem grande preocupação em uma eventual nova prisão de Pádua, uma vez que ele seria “medroso” e “pouco confiável”.


Em 2017, assumiu , em Brasília, o cargo de Secretário Nacional de Infraestrutura Hídrica. Em 10 de abril de 2018, após a desincompatibilização de Helder Barbalho para concorrer ao governo do Pará, Pádua Andrade assumiu o Ministério da Integração Nacional. Em 2018, o economista Mário Ramos Ribeiro deixou o Ministério da Integração Nacional após denunciar o então ministro Antônio de Pádua de acobertar um sistema de fraudes em contratos de Tecnologia da Informação no Ministério.


Segundo Mário, ele teria alertado seus superiores sobre o perigo de tal atuação, que acobertava um sistema milionário de irregularidades. Em 1 de janeiro de 2019, ele deixou o cargo de ministro para assumir a Secretaria de Estado de Transportes do Pará. Em outubro de 2020, Pádua, juntamente com outros secretários de Helder, foi preso temporariamente na Operação S.O.S, deflagrada pela PF.


A investigação chegou até o secretário depois que a Polícia identificou uma série de transferências bancárias feitas em seu benefício pelo lobista Nicolas Andre Tsontakis Morais, o “Gordo”, também preso na operação, entre julho e dezembro de 2019, tonalizando R$ 331 mil. Segundo o ministro Francisco Falcão, relator da investigação no Superior Tribunal de Justiça, as transferências configuram 'veementes indícios de pagamento de propina', supostamente pagas em razão da contratação de empresa ligada a Nicolas para execução das obras de uma ponte em Acará, a 115 km de Belém, no valor de mais de R$ 25 milhões.


Na decisão em que autorizou a ofensiva da Polícia Federal, Francisco Falcão apontou que o nome de Andrade 'surgiu incidentalmente' nas investigações, no bojo da análise financeira de Morais, apontado pela Polícia Federal como o elo entre médicos e empresários de São Paulo com a alta cúpula do Governo do Pará.


As investigações que levaram à S.O.S se debruçaram inicialmente sobre supostas fraudes na contratação de organizações sociais por mais de R$ 1,2 bilhão para gestão de unidades de Saúde do Pará, incluindo os hospitais de campanha para combate ao novo coronavírus. No entanto, apesar do foco no desvio de recursos da Saúde, os investigadores dizem que foi possível verificar que as ilicitudes na administração pública do Pará tinham um 'caráter sistêmico' e alcançaram ao menos quatro Secretarias de Estado, entre elas a de Transporte.


A Polícia Federal chegou à pasta chefiada por Andrade, não pelas transferências feitas em seu benefício por Nicolas, mas em razão de um repasse feito pela empresa Protende MHK Engenharia ao suposto operador financeiro do grupo criminoso investigado. De acordo com a PF, a empresa repassou quase R$ 8 milhões para Nicolas em momento coincidente com a obtenção de contrato celebrado, mediante dispensa de licitação com o Governo do Pará.


Ainda segundo a PF, em período próximo ao recebimento dos valores advindos da MHK, Nicolas repassou os valores para Andrade. A corporação frisou ainda que, além da movimentação financeira, conversas telefônicas interceptadas indicam que Nicolas tratou de assuntos afetos à Secretaria de Transporte com o governador Helder Barbalho, mais especificamente sobre temas relacionados à rodovia PA-150.

"Veementes, portanto, os indícios acerca da prática de corrupção passiva por parte do Secretário de Transportes, bem como a atuação de Nicolas André Tsontakis como o principal operador da organização criminosa junto aos agentes políticos do Governo do Estado do Pará", registrou Francisco Falcão ao abordar os fatos imputados ao secretário de Transportes.

Buscas


Na semana passada a PF deflagrou, uma operação para apurar o desvio milionário de recursos públicos em contratos celebrados entre uma empresa do ramo de Tecnologia da Informação (TI) e o governo federal, nos anos de 2017 e 2018. A empresa investigada é a RSX Informática, que tinha sede em uma distribuidora de bebidas. Ela está suspensa, por tempo indeterminado, de celebrar contrato de serviços de tecnologia com a administração pública.


No DF, o alvo foi Francisco Paulo Soares Lopes, que foi presidente do INSS em 2018 e acabou exonerado após as denúncias de irregularidades no contrato. Soares Lopes era, até o dia da operação da PF, assessor na Secretaria de Economia, onde chegou a ocupar, no ano passado, o cargo de subsecretário de Tecnologia da Informação da pasta.


O outro outro alvo foi justamente Antônio Pádua, da cozinha de Helder Barbalho, e que assumiu o lugar do hoje governador, no Ministério da Integração Nacional, em 2018. Houve buscas em endereço ligado a ele, mas Pádua não foi encontrado. As contratações foram feitas com o antigo Ministério da Integração Nacional, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), no total de R$ 16 milhões.


A organização criminosa investigada ainda tentou firmar contrato com a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), não obtendo êxito. As provas coletadas no inquérito apontam que os investigados fraudaram inicialmente uma licitação no Ministério da Integração Nacional, que resultou em ata de registro de preços – instrumento que viabilizava que outros órgãos contratassem diretamente a empresa investigada, por meio de adesões a essa ata. Os investigados criaram um “kit adesão”, com minutas e modelos de documentos necessários para que outros órgãos formalizassem a adesão à ata de registro de preços do Ministério da Integração. Esse “kit adesão” era repassado aos servidores públicos cooptados, que, mediante o pagamento de propina, iniciavam o processo de adesão à ata do MI.

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