• O Antagônico

Helder, Os 5 da Amazônia e a Convocação. A Sala 7 e o Filho de Renan Fora da Lista



A CPI da Covid, como já era esperado, convocou 9 governadores para depor na Comissão que investiga a aplicação de verba pública no período da Pandemia. Os convocados são Helder Barbalho, do Pará, Wilson Lima (PSC), do Amazonas, Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, Waldez Góes (PDT), do Amapá, Marcos Rocha (PSL), de Rondônia, Antônio Denarium (sem partido), de Roraima, Carlos Moisés (PSL), de Santa Catarina, Mauro Carlesse (PSL), do Tocantins e Wellington Dias (PT), do Piauí. Dos 9 convocados, 5 são da Região Norte. O requerimento foi apresentado pelo vice-líder do governo no Congresso, senador Marcos Rogério do (DEM-RO).


No caso de Helder Barbalho a convocação representa grande exposição negativa a nível nacional, tudo que o filho de Jader Barbalho e o próprio cacique do MDB queriam evitar. E quanto mais o depoimento se retardar melhor para os opositores do clã Barbalho que querem levar Helder, no tocante aos episódios de corrupção, sangrando, em carne viva, até as eleições do ano que vem.


A convocação para depor representa, sem sombra de dúvida, um duro golpe no projeto de reeleição do governador. Afinal, a CPI irá obrigar Helder a falar de assuntos espinhosos e de difícil explicação como respiradores, secretários presos, dinheiro em geleira, garrafinhas e, OS Pacaembu, cujos diretores, que estão na cadeia, desviaram milhões da saúde. Isso sem falar que, os desdobramentos do depoimento de Helder são, por óbvio, imprevisíveis, uma vez que podem gerar em outras convocações absolutamente indigestas para o governador, como a do ex-secretário de saúde, Alberto Beltrame, Parsifal Pontes, Antônio de Pádua e tantos outros. A lista é extensa. Sem exageros, a gestão Helder Barbalho daria pauta para uma dezena de CPIs.


A decisão de convocar os governadores foi tomada, a portas fechadas, na chamada “Sala 7”, a pedido do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM). Foi lá que foi definido o critério para o chamamento dos mandatários de Estado. E foi lá que Renan Calheiro conseguiu livrar que o filho, Renan Vasconcelos, governador de Alagoas, não constasse na lista de convocados, “lavando as mãos” em relação a Helder Barbalho, filho do amigo e correligionário de longa data, Jader Barbalho. O critério escolhido foi só convocar governadores cujos Estados foram visitados pela Polícia Federal. Nesse quesito, Helder Barbalho, lidera com folga.


Ao retornar aos trabalhos da CPI, no entanto, Calheiros votou contra a convocação de Helder, juntamente com outros 2 senadores. O presidente da CPI reagiu cobrando coerência dos pares. “Nós fizemos um acordo. Isso é uma falta de respeito comigo”. Reclamou Aziz, frisando a amizade que tem com o pai do governador paraense.

“Tenho profundo respeito pelo senador Jader Barbalho. Não tenho nenhuma alegria em fazer isso com o filho dele. Mas nós fizemos um acordo“. Disse o presidente da CPI se sentindo traído por Calheiros.

Indiferente ao que vem ocorrendo, o senador Jader Barbalho, suplente na CPI, tem se mantido distante dos trabalhos da Comissão. O que se diz nos bastidores palacianos é que Jader discorda de muitas decisões tomadas pelo filho, o que tem dificultado uma possível blindagem do governador na capital federal. Jader tem se queixado a amigos próximos que Helder não deveria ter seguido orientações da mãe, Elcione Barbalho, em detrimento a longa experiência do pai, que sempre recomendou cautela nas decisões do filho e distância dos holofotes.


Agora é tarde. Resta ao clã barbalho, o caminho da justiça, sendo dado como certo que Helder vai bater às portas do STF para evitar o depoimento à Comissão. Feliz ou não em sua empreitada na justiça, o prejuízo, sob todos os aspectos, é devastador e inevitável.

629 visualizações0 comentário