• O Antagônico

Itaituba. O Secretário. A Farra do Combustível. O Prefeito. O Gaeco e a “Narcos Gold”

Atualizado: 31 de dez. de 2021



Os prefeitos aliados de Helder Barbalho que se cuidem. A exemplo do que aconteceu em Tailândia, quando o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, Gaeco, bateu às portas do prefeito Macarrão (MDB) e de empresários ligados ao mesmo, o próximo alvo pode ser o prefeito de Itaituba, Valmir Climaco, também do MDB, que responde a uma penca de processos e já foi denunciado em todas as esferas judiciais.


Recentemente, aterrissou no alto escalão do MP um dossiê contendo várias denúncias contra o gestor municipal. Uma delas atenta para o desvio de combustível dentro da Secretaria Municipal de Infraestrutura, comandada pelo empresário e ex-vereador Orismar Gomes. O combustível, óleo e gasolina, que deveria ser utilizado para abastecer veículos da municipalidade estariam sendo desviados para os carros de servidores e familiares de funcionários da prefeitura, e também para veículos de amigos do secretário.


Farto material, inclusive fotos e vídeos já estão em poder do parquet. A digital de Valmir Climaco também está inserido nas investigações que culminaram na operação da Polícia Federal intitulada “Narcos Gold” que recentemente desarticulou um grupo criminoso que atua na região Oeste do Pará há pelo menos 3 anos, praticando lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas. O nome de Climaco foi citado em vários depoimentos colhidos pela PF.


Graves denúncias envolvendo Valmir Climaco não são nenhuma novidade. Recentemente, relatórios da Controladoria Geral da União, CGU, apontaram a existência de um grande esquema criminoso dentro da prefeitura envolvendo montagem de pregão, vínculo pessoal entre empresas contratadas e agentes públicos, ausência de comprovação dos critérios utilizados na definição quantitativa dos itens do pregão e indicativos de simulação nas pesquisas de preços.


O teor da demanda encaminhada pelo MPF aponta para fraudes nas aquisições de materiais de expediente e consumo, que teriam ocorrido em diversos órgãos da Prefeitura de Itaituba. A fraude se daria mediante conluio entre agentes públicos do município que atuariam para favorecer empresas pertencentes a seus parentes e outras pessoas com os quais aqueles mantinham grau de afinidade.


Com R$ 2,9 milhões em multas do Ibama por desmatamento entre 1997 e 2004, o prefeito foi denunciado em 2015 pelo Ministério Público Federal (MPF) de Santarém (PA) por falsificar guias florestais para possibilitar o “despacho aduaneiro de exportação”. Não foi um caso isolado. Em 2019, ele foi condenado a quatro anos e nove meses de detenção por destruir 746 hectares de floresta nativa para exploração de madeira. Ele também foi alvo em outras frentes de investigação. Em julho de 2019 a Polícia Federal encontrou em uma das suas fazendas um avião com armas e 583 kg de cocaína. Climaco alegou inocência — disse que parte da propriedade tinha sido invadida — e as acusações foram arquivadas.


Não foi a primeira vez que Valmir teve o seu nome ligado ao comércio ilegal de entorpecentes. Em 2000, anos antes de construir seu império agropecuário, ele foi acusado de envolvimento com o tráfico internacional de drogas durante a CPI do Narcotráfico, chegando a ser indiciado pela comissão parlamentar.

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