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Itaituba. Os Garimpos. O Priante. A Prefeitura e as Licenças. O Climaco e o Pé na Cadeia



Vai sobrar, e muito, para o deputado federal José Priante ( MDB), a tentativa de interlocução entre o palácio do planalto e o controverso prefeito de Itaituba, Valmir Climaco de Aguiar, o “Tiririca Amazônico”. Fonte segura confirmou a O Antagônico que já está na mesa de Bolsonaro a ficha completa, do gestor itaitubense. O presidente já sabe, por exemplo, que Climaco tem extensa ficha policial e quilômetros de inquéritos que se arrastam na justiça. Um deles atenta para os quase 600 quilos de cocaína apreendidos pela PF na fazenda do prefeito.


No estado do Pará, Climaco é um dos últimos remanescentes do coronelismo, sendo conhecido por sua destemperança e rudeza no trato com os problemas e agruras da coletividade. E as histórias são muitas. Climaco já agrediu violentamente um ancião dentro do quartel da PM de Itaituba; Deu uma tapa na cara de um advogado trabalhista dentro da sala de audiências; Deu um tapa na cara de uma ex-vice prefeita, autorizou o parto de uma cadela dentro do hospital municipal além de agredir fisicamente vários dos seus funcionários. Mas como diz o ditado, remédio de doido é doido e meio. Isso porque nem todos se rendem a garganta do “jacu gestor”.


Em novembro de 2018, na véspera do dia de finados, Climaco levou uma violenta surra no meio da rua, após ofender o motorista de uma caçamba, que revidou a altura. À época, o prefeito deu entrada no hospital da cidade, com um pano cobrindo a cabeça, para evitar a vergonha pública.


Natural do Ceará, Walmir Climaco sempre teve o nome associado a crimes e a histórias grotescas. Desde que assumiu, pelo voto, a prefeitura de Itaituba, em 2017, ele sempre esteve metido em confusão e negócios escusos. As portas da falência, ele apostou tudo o que tinha para se eleger. Foi bafejado pela sorte e pela falta de nomes com “bala na agulha”, para disputar o cargo.


Em 2020, concorrendo com o mesmo adversário e já com as algibeiras abarrotadas com dinheiro público, Valmir ganhou fácil a sua reeleição, com recorde de votos. Também pudera!! Ele botou toda a oposição na folha de pagamento e cooptou toda a imprensa da cidade. Agora, as faturas da gestão “Pão e circo”, começam a chegar e a população começa a abrir os olhos para o monstro atrás da porta.


Com pelo menos três pedidos de prisão preventiva em aberto, Climaco não pode supor, nem de longe, perder as prerrogativas do cargo, não estando descartada a possibilidade do mesmo sair do mandato e ir direto para a cadeia. Tanto isso é verdade que em conversa recente o governador Helder Barbalho o aconselhou a concorrer ao cargo de deputado estadual para garantir imunidade e evitar a incômoda “pulseira do Roberto Carlos”.


Na semana passada, Valmir voltou ao noticiário nacional, em matéria do jornal O Globo e no Programa Fantástico. O texto fala que o município de Itaituba é campeão na concessão de lavras garimpeiras pelo governo federal nos últimos quatro anos — mais de 25% de todos os requerimentos. Desde a semana passada, a cidade está em polvorosa com a operação Caribe Amazônico, deflagrada pela Polícia Federal em parceria com o Ibama e as Forças Armadas que destruiu e apreendeu mais de 21 escavadeiras, 26 motores bombas, uma balsa, três geradores, um trator esteira e 14 acampamentos avaliados em mais de R$ 10 milhões.


Ao serem flagrados pelas autoridades, os exploradores tentaram evitar a destruição dos equipamentos e instalações mostrando licenças de operação emitidas pelas prefeituras de Itaituba e Jacareacanga. Para os agentes da PF e Ibama, as licenças são ilegais e não têm validade por se tratarem de área de conservação de competência da União.


Em entrevista ao Globo, o prefeito de Itaituba, Valmir Climaco prometeu que vai suspender todas as licenças concedidas pela prefeitura nos últimos anos para fazer uma reavaliação.


— Nós demos mais de 500 licenças e nunca fomos fiscalizar. Agora não vai ser mais assim. Nós vamos suspender todos os documentos e eles só vão ser liberados com o aval do ICMBio e do Ministério Público Federal — afirmou ele, anunciando um projeto que vai criar um sistema de monitoramento de garimpos na região e “reeducar” os trabalhadores a não devastarem a Amazônia.

Questionado por que não fiscalizou antes, o prefeito respondeu que isso era prerrogativa dos órgãos ambientais federais. E reconheceu que há muitos garimpos ilegais na região:

— alguns usam as licenças de um determinado local para tirar ouro de outro (leia-se de terras indígenas e unidades de conservação).

Nos bastidores, há um receio de que a prefeitura entre na mira da Polícia Federal, que passou a investigar as circunstâncias em que foram concedidas as licenças. Climaco se reelegeu ao cargo, em 2020, com o apoio da classe garimpeira – ele mesmo é dono de campos de garimpo (“todos legais”, segundo ele) e gosta de exaltar o seu passado como garimpeiro

— Eu já queimei mais de 3000 quilos de ouro com massa de azougue (apelido dado ao mercúrio)”.

Na última terça-feira, enquanto a PF incendiava retroescavadeiras e acampamentos, Climaco voou a Brasília para se encontrar com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira. Segundo ele, o objetivo era convencer o governo federal a suspender a operação da PF. Para isso, tentou sensibilizar o ministro levando “centenas” de vídeos enviados por seus companheiros do garimpo, mostrando as “cenas de terror” da ação policial.

O deputado federal José Priante (MDB-PA) intermediou o encontro e acompanhou o mandatário na agenda no Palácio do Planalto:

— As explosões pareciam produção cinematográfica. Um absurdo, Fomos levar nosso ponto de vista ao ministro de que explodir é uma política equivocada, desinteligente. Na hora que se pega gado na floresta não se faz churrasco com ele. Não se destrói os ativos —

disse o parlamentar, frisando que não é a favor do garimpo ilegal, mas da inutilização dos equipamentos (o que é previsto em lei quando não há possibilidade de apreensão).


Segundo o deputado e o prefeito, Nogueira prometeu levar a questão diretamente ao presidente da República e “providenciar ações no sentido de paralisar esse tipo de operação”. Procurado por meio de sua assessoria, Nogueira não comentou a reunião, que não consta na agenda oficial do ministro. No dia seguinte, no entanto, ele se encontrou com o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, que comanda o Ibama e o ICMBio.


Climaco acrescentou que só não “ligou direto” para Bolsonaro porque “ele estava lá na guerra com a Rússia”. Em maio de 2020, os dois se falaram por telefone sobre as medidas tomadas na cidade para conter a Covid-19. Bolsonaro fez questão de registrar a conversa em uma live semanal e elogiar o município por ter mantido o comércio funcionando, enquanto os governadores baixavam medidas de restrição. A operação policial acabou sendo encerrada na última sexta-feira.


— Conseguimos uma trégua para regularizar a situação — comentou o prefeito. Apesar de os políticos da região alardearem que a ação parou por intervenção deles, operações do gênero não costumam demorar mais de uma semana. A ideia do prefeito é obrigar os garimpos a construir a ter três bacias de decantação para “limpar” a água que é lançada nos rios – segundo um laudo da PF, essa lama do garimpo provocou a contaminação na praias de rio de Alter do Chão.


— O garimpeiro que não aceitar não vai tirar mais uma grama de ouro. Ou eu aperto ou jogo a toalha. Estou no segundo mandato e não quero sair com a culpa que devastei a Amazônia —

afirmou ele, anunciando que a meta é não ter mais nenhuma sujeira sendo despejada na Bacia do Tapajós até 2024. Para isso, ele disse que pretende conseguir recursos do governo do Estado e do Ministério do Meio Ambiente. Procurado, o Ministério Público Federal informou que ainda não há nenhum acordo oficial com a prefeitura para regularizar os garimpos.


As licenças municipais que agora estão sob investigação da PF já haviam sido contestadas pelo MPF desde julho do ano passado. Os procuradores solicitaram à Justiça Federal que fossem canceladas todas as autorizações concedidas na região. Apesar do pedido de urgência, a seção de Itaituba ainda não analisou o caso.


O Antagônico com informações de O Globo

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