• O Antagônico

Jader Barbalho. Os 6 Milhões de dólares. O PMDB. A Petrobrás. O Operador. e a Denúncia

Atualizado: Nov 15



Um cadáver insepulto no encalço de Jader Barbalho. Vejam só !! A Justiça Federal no Paraná recebeu denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra João Augusto Rezende Henriques e José Cláudio Marques de Barbosa Júnior pelo crime de lavagem de dinheiro transnacional. Além da condenação, o MPF solicita o bloqueio e perdimento de bens no valor de US$ 4.260.000,00 que, no câmbio corrente, equivale ao montante de R$ 23.430.000,00 e corresponde ao valor total movimentado ilegalmente pelos denunciados.


A denúncia refere-se à lavagem de dinheiro envolvendo o repasse de valores de origem ilícita por Henriques, por meio da offshore Acona International Investiments LTDA, da Suíça, para seu advogado Barboza Júnior, utilizando transferências realizadas em conta no Banco Sberbank Moscow, na Rússia, esvaziada poucos dias depois das operações bancárias. A investigação concluiu que o contrato de advocacia firmado entre os denunciados foi celebrado de maneira simulada, com o único intuito de criar justificativa aparentemente lícita para maquiar a origem do dinheiro.


De acordo com a denúncia, Henriques representava os interesses do então Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), hoje (MDB), no grande esquema de corrupção envolvendo a Petrobras. Neste processo, consta o depoimento de Nestor Cerveró, que, era Diretor Internacional da Petrobras. Cerveró narrou que a partir de 2006 integrantes da bancada do PMDB no Senado aproximaram-se dele com o fim de arrecadar propinas, ocasião em que foram acertadas vantagens indevidas de aproximadamente U$D 6 milhões de dólares nos contratos de construção dos navios-sonda Petrobras 10000 e Vitória 10000 as quais, segundo Cerveró, beneficiaram os senadores Renan Calheiros, Jader Barbalho e o ex-ministro Silas Randeau. Entretanto, insatisfeitos com a nomeação de dois diretores da Petrobras pelo PT, representantes da bancada do PMDB na Câmara dos Deputados “revoltaram-se” e passaram a exigir do Governo Federal a escolha de um Diretor indicado pelo próprio partido.


A ideia inicial do partido, naquele primeiro momento, era indicar para o cargo o operador financeiro João Augusto Rezende Henriques. Com isso, conforme relatado por Nestor Cerveró, no segundo semestre de 2007 iniciou-se um movimento de aproximadamente cinquenta deputados para retirá-lo do cargo, em razão da notícia de que a referida diretoria seria um campo inesgotável de negócios e, portanto, de propina. Caso Cerveró quisesse continuar no cargo, teria que “contribuir” com USD 700 mil dólares mensais como contrapartida ao “compromisso” com o partido, o que não foi aceito pelo ex-diretor.


Em razão destas pressões, que perduraram por aproximadamente seis meses, o nome de Nestor Cerveró foi substituído por Jorge Zelada, que poderia contribuir diretamente ao PMDB a partir de propinas combinadas em negócios celebrados com a Diretoria Internacional da Petrobrás.


Leia abaixo o depoimento de Nestor Cerveró:


MPF:-O senhor se aproximou do PMDB quando?
Cerveró: - Na realidade não fui eu que me aproximei do PMDB, o PMDB que se aproximou de mim em 2006, logo depois do mensalão.

MPF :-Através de quem?
Cerveró: - Através do ministro Silas Rondeau, que fazia parte do grupo do PMDB, que na época havia a divisão do PMDB da câmara, do PMDB do senado. Então na realidade eu fui procurado pelo Silas, que me apresentou ao senador Renan, ao senador... na época deputado Jader Barbalho, mas fazia parte do grupo do senado e que me informaram que eles também passariam... eu passaria a ser apoiado por esse grupo.

MPF:-Se eu entendi nos seus termos de colaboração, o senhor afirmou em 2006, foi pago 6 milhões para os senadores Renan Calheiros, Jader Barbalho, Delcídio do Amaral e ao ex-ministro Silas Rondeau, a título de participação nos negócios da Petrobras e isso visaria o apoio pra continuação no cargo, é isso?

Cerveró: -Foi pago... realmente foi um acerto que houve com o comando, esse comando PMDB. O Delcídio não fazia parte desse 6 milhões, o Delcídio foi uma outra contribuição. Mas houve uma destinação de 6 milhões de dólares pra esse grupo aí.

MPF: -E como que se deu esse pagamento?
Cerveró: -Esse pagamento se deu através de resultado obtido de negociações de propinas dos negócios... basicamente da sonda... da primeira sonda que nós contratamos, que a Petrobras contratou, e de uma parte da comissão... porque, como eu disse, o Delcídio não fez parte desses 6 milhões de dólares. Os 6 milhões de dólares foi dirigido para o PMDB.

MPF :-E aí um período depois o senhor foi substituído na diretoria da Petrobras?
Cerveró: -Dois anos, quase dois anos depois.

MPF:-E o senhor fez alguma cobrança de que esses senadores do PMDB lhe apoiassem para o senhor se manter no cargo?

Cerveró: -Sim, eu conversei, porque a substituição não foi de uma hora pra outra, foi um processo que levou uns 6 meses, uma coisa assim, se iniciou com uma pressão do PMDB da câmara, um grupo de... foi dito depois nos contatos que eu tive com o pessoal em Brasília, que eu fui procurar, quer dizer, esse apoio do grupo do senado, que me disse isso, que havia um grupo muito grande de deputados do PMDB liderados pelo falecido deputado
Fernando Diniz, do PMDB de Minas, que pediam a minha substituição na diretoria internacional. Aí eu fui até com o (incompreensível)cobrar o apoio do grupo do PMDB da câmara, mas naquele momento o PMDB da câmara ... do senado estava muito enfraquecido, porque foi na ocasião do que o senador Renan teve que renunciar por conta da história da filha dele, que era pago uma pensão, e ele renunciou. Então esse grupo tinha perdido... isso eu descobri nas negociações que, quer dizer, nas tentativas de permanência e tal que duraram coisas de 6 meses.

MPF :-E o então deputado Fernando Diniz queria colocar quem no seu lugar?

Cerveró: -A primeira... não foi... não foi... não sei se foi o deputado Fernando Diniz. Eu sei que esse grupo era, me foi dito, até pelo na época deputado Michel Temer, que eu estive com ele, que ele tinha que atender a bancada, ele falou que tinha tido as melhores referências, mas que ele não podia deixar de atender a bancada. E aí o primeiro nome que surgiu pra minha substituição, foi no final de 2007, que eu fui substituído em março de 2008, foi o nome do João Augusto Henriques, que já havia sido diretor da BR no passado e tal, mas devido a um processo que ele tinha... teve no TCU, o nome dele estava impedido de exercer qualquer cargo de direção em empresas estatais. Então foi indicado o nome do meu substituto, doutor Jorge Zelada.

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