• O Antagônico

Jatene. Os 18 hospitais. O PSDB. O Governo do Pará. Ser ou não Ser Candidato

Atualizado: Jul 1



O tempo passa e os grupos políticos, prós e contras, aguardam, com ansiedade, a decisão do tucano Simão Jatene. Ele será candidato ao governo do Pará, disputará o senado, apenas apoiará um grupo anti-Barbalho ou seguirá sua vida, tranquilamente, em contato com a natureza, no seu sítio em Icoaraci ? Como diria Shakespeare, “Ser ou não ser, eis a questão”. Seja qual for a decisão de Jatene, de um fator ninguém duvida: O tucano é o que tem mais chances de derrotar Helder Barbalho, caso encabece uma chapa para concorrer ao governo. Isso é unânime, até mesmo entre os adversários e desafetos do ex-governador.


O fator saúde, conta muito a favor de Jatene, uma vez que o mesmo, quando governou o Pará, por 3 mandatos, não poupou investimentos no setor. Os hospitais públicos, 18 no total, construídos nas gestões do Tucano, e que salvaram milhares de vida, antes e durante a pandemia, são obras que fortalecem o nome de Jatene em uma eventual candidatura.


Outros fatores também puxam a corda pro lado do ex-governador: ele nunca perdeu uma eleição e também não se deixou colar a pecha de corrupto. É bem verdade que as gestões do mesmo tiveram seus percalços e até mesmo acusações de irregularidades. Porém, comparadas a administração de Helder Barbalho as mesmas são uma gota dágua na chapa quente.


Mas nem tudo são flores no ninho tucano. O ex-governador precisa resolver sua questão partidária, diante da instabilidade do PSDB. Não por acaso, já se cogita a ida do mesmo para o PSB, de Ademir Andrade ou para o Cidadania, de Arnaldo Jordy. Tudo no campo das possibilidades.


Para ser candidato, Jatene precisa resolver dois problemas: a rejeição de suas contas, pela ALEPA, em que 34 deputados, muitos do PSDB, votaram pela reprovação das contas do ex-governador, referente ao exercício de 2018 e a decisão do TRE do Pará, que condenou Jatene, em ação movida pelo Ministério Público Eleitoral, acusando-o de irregularidades em programas de habitação durante as eleições de 2014, com a entrega de cheque-moradia a eleitores. Ambas as situações deixaram Jatene na condição de inelegível. No entanto, operadores do direito não acreditam que isto represente obstáculo para uma candidatura.


Em contato com o Antagônico, o advogado Orlando Mileo, que defende o tucano, disse que os recursos contra as decisões estão em tramitação e ambas devem ser reformadas.

“Com referência ao cheque moradia recorremos ao TSE e a decisão deverá ser conhecida em breve.”

Disse Mileó, ressaltando que, apesar de não estar atuando no caso da ALEPA, não acredita que a rejeição aprovada pelos deputados venha a ser óbice com o condão de brecar os direitos políticos do tucano.

“Acho que foi uma decisão açodada e com muitas brechas para reforma. Uma votação secreta para um tema tão sério, envolvendo o mandatário do estado não me parece nada republicano.” frisou o advogado apontando vícios na decisão dos deputados.

No tocante a trajetória política, os números são amplamente favoráveis a Jatene. Em 2002, tendo Valéria Pires Franco como vice, ele se lançou ao Governo do Pará, concorrendo, pela primeira vez a um cargo eletivo. Apoiado pelo então governador Almir Gabriel, derrotou no segundo turno Maria do Carmo (PT) com 51,72% dos votos válidos contra 48,28% dados a ela. Em 2006, Jatene não concorreu a reeleição em favor de Almir Gabriel. O então candidato, entretanto, foi derrotado pela senadora Ana Júlia Carepa (PT) na disputa. Diante da situação, Gabriel acusou Jatene de se empenhar pouco em sua campanha, fato que levou a um distanciamento entre ambos, posteriormente superado.


Nas eleições de 2010, Jatene derrotou novamente a petista Ana Julia, que concorreu a reeleição, sendo eleito novamente governador do Pará, tendo como vice Helenilson Pontes (PPS). À época, a diferença entre os dois foi de 383.190 votos. Na disputa de 2014, Simão Jatene se elegeu para o seu terceiro mandato, enfrentando a oposição de Helder Barbalho (PMDB), que recebeu o apoio do ex-presidente Lula e da candidata Dilma Rousseff (PT). Jatene foi reeleito com 51,92% dos votos válidos (1.858.869 votos), com o vice Zequinha Marinho, derrotando no 2º turno Helder Barbalho, que obteve 48,08% (1.721.479 votos).


Por todo o conjunto da obra, Jatene, filho de imigrante libanês, nascido em Belém e que passou sua infância e início da juventude em Castanhal, é por assim dizer, o político que mais esquentou a cadeira mais disputada do Estado, sendo o único governador paraense a exercer três mandatos.

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