• O Antagônico

O Barbalho. A Sanha pelo Poder. A Campanha na Rua, O Eleitor Paraense e a História



Com a aproximação das eleições de 2022, as especulações, elucubrações e conjecturas políticas começam a fervilhar nas redes sociais. No tocante ao governo do Pará o único candidato declarado, e que está em plena campanha, é o governador Helder Barbalho, do MDB. Decidido a se reeleger, o atual mandatário estadual amanhece em Itaituba e anoitece no Marajó, tomando café com católicos, almoçando com evangélicos e jantando em terreiro de umbanda.


Para Helder, a ordem dos fatores não irá alterar a soma. Desde que a soma lhe seja favorável. Com a chave do cofre nas mãos, Helder segue sua saga, comprando diabo e negociando com satanás, desafiando os limites da política. (Se é que isso existe). Para a maioria dos que rodeiam o governador a eleição de 2022 está ganha, só faltando passar a faixa. Tanta certeza reside na ampla coalizão de partidos e lideranças cooptadas, a peso de ouro, pelo grupo de Helder. A máxima que reina no grupo barbalhista é “onde o dinheiro não resolver, bote mais um pouco”.

No entanto, porém, contudo, raposas velhas na política paraense veem com desconfiança a reeleição do governador, muitos de dentro do arco de aliança e batedores de continência ao Rei do Norte. Uma dessas figuras, em conversa com O Antagônico, disse que a eleição de 2022 é absolutamente imprevisível. “Helder pode comprar quem ele quiser, mas tem uma carga negativa muito grande, o que certamente não permitirá que ele obtenha mais de 50% dos votos do eleitorado paraense em um segundo turno”. Disse o conhecido político, hoje dentro do governo, fazendo referência direta aos inúmeros processos e escândalos de corrupção que rodeiam o governador.


Outros fatores históricos, que no passado reuniram quase unanimidade em torno de um candidato a governo, também merecem registro e não podem ser ignorados. As eleições de 1994 e 2006 mostram que balaio de partidos e favoritismo não são sinônimos de vitória. A história não mente e, felizmente, não pode ser cooptada. Em 94, Jarbas Passarinho, favorito a sentar na cadeira de governador, apoiado à época por Jader Barbalho, pai de Helder, foi derrotado nas eleições por Almir Gabriel, em uma virada histórica no segundo turno da disputa.


Em 2006, o próprio Almir Gabriel viria a provar do mesmo remédio. Apoiado por uma ampla coligação intitulada "União pelo Pará", que incluía nada menos que 15 partidos: PSDB, PFL, PTB, PSC, PL, PV, PTdoB, PMN, (PP), (PAN), (PRTB), (PHS), (PTC), (PRP) e (PRONA), o tucano foi derrotado, no segundo turno, pela petista Ana Julia Carepa, que fazia parte da nanica coligação “Frente Popular Muda Pará”, composta pelo PT, PSB, PCdoB, (PRB) e (PTN).


No primeiro turno, a chapa de Ana Júlia ficou na segunda colocação com 1.173.079 votos (37,52% dos votos). Já na segunda etapa das eleições, Carepa deixou o tucano para trás, alcançando a soma de 1.673.648 votos ( 54,93% dos votos). Trocando em miúdos, eleição pra governo do Pará sempre foi difícil, principalmente quando um dos lados tenta, a todo custo, subestimar a inteligência do eleitor.

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