• O Antagônico

O Barbalho Pai. O Escândalo do Banpará. A Justiça e A Prescrição.



A justiça e suas filigranas. No apagar das luzes de 2020, o senador Jader Barbalho, pai do atual governador do Pará, Helder Barbalho, se livrou de um defunto mal sepultado, o chamado “Escândalo do Banpará”. Ao dar provimento a um Agravo de Instrumento impetrado por Jader, o desembargador Roberto Gonçalves de Moura, Relator do processo, (agora presidente do TRE do Pará) extinguiu o processo movido pelo Ministério Público, reconhecendo a sua prescrição.


Em 2001, o Conselho Superior do Ministério Público do Pará decidiu, por unanimidade, reabrir as investigações sobre o desvio de recursos do Banpará, em 1984, dinheiro repassado para contas de Jader Barbalho, então governador, e de pessoas ligadas a ele. Trata-se do famoso Fundo de Aplicações ao Portador que acolheu o dinheiro desviado do Banpará e depósitos de empresas que prestavam serviços ao governo paraense durante a primeira gestão de Jader.


Resumo dos 12 volumes produzidos pelos fiscais do banco, o documento do BC também afirma que R$ 12,5 milhões (65% do dinheiro sacado do fundo) foram parar nas contas do senador, da ex-mulher e atual deputada Elcione Barbalho, de parentes e de outras pessoas ligadas a ele. Por conta das fraudes no Banpará, Barbalho teve contas e bens bloqueados pela justiça, agora liberados graças a prescrição.


Na prática, foram 14 anos de muito barulho, pra absolutamente nada. O desfecho do caso Banpará faz lembrar a frase do célebre Rui Barbosa: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

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