• O Antagônico

O G1 Pará e as Agressões da PM. Os Abusos, A Queixa e a População Acuada



O site G1 Pará, que até aqui vinha poupando críticas a gestão de Helder Barbalho, registrou hoje, quinta-feira, 10, dois casos de agressões a civis, por parte da PM do Pará. Já não era sem tempo. Afinal, como diz o ditado, a impunidade gera a audácia dos maus. A matéria do G1 mostra imagens de câmeras de segurança de policiais militares dentro de um bar em Belém, no dia 3 de junho. A ordem era para fechar o local, por volta das 2h, já que bares só podem até 1h, de acordo com as regras de combate ao coronavírus. No entanto, o dono do bar disse que os policiais militares foram agressivos. O empresário Rodrigo Fonseca afirma que apanhou dos policiais depois de questionar a abordagem da equipe. Nas imagens, ele aparece de camisa branca, imobilizado. Depois disso, ele foi levado à delegacia em uma viatura.

"Quando eu sai de trás do balcão, eles nem deixaram eu ir nas meses, já me cercaram dizendo que eu havia desacatado, e que eu iria com eles, neguei e nesse momento o soldado já veio e me aplicou uma 'gravata' e foi me puxando", ele relata.
"Acordei já dentro do camburão com o policial já tentando tirar meu celular, e teve lá uma luta porque eu não quis entregar. Levei spray de pimenta, apanhei bastante. Eram três policiais dentro da viatura me batendo".

Fonseca aguarda o resultado de exames de corpo de delito. O caso foi denunciado tanto para a Corregedoria da PM quanto à Promotoria Militar. O advogado de defesa dele também disse que já entregou as imagens do circuito de segurança para as autoridades.

"No meu ponto de vista se trata de um completo caso de abuso de autoridade e agressão pelo lado dos PMs, já que em nenhum momento ele não apresentou algum tipo de risco contra eles, nem tratou com rispidez", afirma Rondinelly Maia, advogado.

Outro caso de abuso policial ocorreu com a autônoma Karla Ribeiro. Ela também denuncia abuso de autoridade contra os policiais. Em imagens feitas com celular no último final de semana, ela aparece na porta da casa onde mora, sendo abordada por três policiais. Karla disse que reconhece e valoriza o trabalho da Polícia e levou o caso à Corregedoria Militar. "Perguntava a todo momento para eles porque usar de tanta agressividade, tanta ignorância, sendo que eu estava colaborando com o trabalho deles, e eles me xingando, é porque eu moro numa área periférica, porque eu sou preta?".


A Promotoria Militar, diz a matéria do G1, reforça a importância das abordagens para manter a segurança da população, mas alerta que tudo deve ser feito dentro da lei.

"Os crimes de abuso de autoridade em regra de maneira bem geral são punidos com pena de reclusão de 2 a 6 anos, por si só, agora se houver crimes como lesão corporal grave, ou comunicação falsa do crime, essa pena pode chegar a 12 ou 14 anos de prisão, até a exclusão desse policial que usa do abuso dessa autoridade", explica Armando Brasil, promotor de Justiça Militar.

Em nota, o Comando da PM que a corregedoria da corporação apura os casos e que "não compactua com qualquer tipo de excesso durante as abordagens". A reportagem do G1 diz que solicitou informações sobre o número de ocorrências de abusos de autoridade registradas recentemente, mas não obtiveram resposta. E certamente não terão mesmo.

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