• O Antagônico

O Governador, Os Contratos de Compadre, Os R$ 100 Milhões, O Buffeduto e o Escândalo

Atualizado: Abr 22


Existem muito mais negócios pouco republicanos envolvendo Helder Barbalho, seus parentes e aderentes, do que possa supor a vã filosofia popular. Depois das garrafinhas e dos lanches, eis que surge agora o escândalo do “Buffeduto”, uma audaciosa parceria de compadres, tudo custeado pelo dinheiro do contribuinte paraense.


Em março de 2019, com Helder Barbalho estando a menos de 3 meses no cargo de governador, o Diário Oficial publicou a primeira dispensa de licitação envolvendo o governo e a M.W.S Eventos e Buffet, empresa de propriedade de Antonio da Paz Silva Bezerra, pai de Fábio Simões, padrinho dos dois filhos de Jader Filho, irmão do governador do Pará.


O Objeto daquele contrato, no valor de R$ 17 mil reais, foi o fornecimento de quitutes e guloseimas para um tal Workshop Estadual de Compliace a Governança Pública. O contrato, referendado pelo então Auditor Geral do Estado e hoje presidente do Igeprev, Ilton Giussepp Stival Mendes da Rocha Lopes da Silva, (de nome quilométrico e que dispensa apresentações ), foi a abertura da porteira para a criação do Buffeduto. A ironia ai reside na negociata começar, justamente, com o beneplácito da Auditoria Geral do Estado, que, por dever de ofício, deveria fiscalizar e não referendar a sangria descarada dos cofres públicos. A sede da empresa também chama a atenção. Uma modesta casa térrea, (foto) sem qualquer identificação, na Timbó, nº 2212.


Ophir Loyola- No dia 09 de abril de 2019, um mês após aquele agradável coquetel, a empresa foi agraciada com um polpudo contrato, de, pasmem, R$ 8. 706. 264. (oito milhões, setecentos e seis mil, duzentos e sessenta e quatro reais ), desta feita para alimentação de pacientes, acompanhantes e funcionários do Hospital Ophir Loyola. A partir dai virou farra com dinheiro público. Seis meses depois, um novo contrato foi celebrado entre a empresa, para fornecer alimentação para o Ophir Loyola. A diferença é que o novo contrato foi bem mais generoso : R$ 18.250.062, 36 ( dezoito milhões, duzentos e cinquenta mil, sessenta e dois reais e trinta e dois centavos). Em outubro de 2020, o contrato de R$ 18 milhões foi renovado, totalizando, até agora, mais de R$ 44 milhões repassados a empresa de Buffet. Um autêntico negócio da China!!!


As quentinhas da Susipe - Em junho daquele mesmo ano, foi a vez da Susipe dá uma forcinha nos negócios dos compadres : Sem nem pestanejar, o então Secretário Extraordinário de Estado para Assuntos Penitenciários, Mauro Moreira Matos, homologou um milionário contrato com a M.W.S., no valor de R$ 16. 181.672 (dezesseis milhões, cento e oitenta e um mil, seiscentos e setenta e dois reais), para fornecimento de alimentação preparada para as unidades da Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará.


Em junho de 2020, a SEAP renovou, por mais um ano, o contrato milionário com a empresa. Em outubro daquele ano, a SEAP aditou o contrato em mais R$ 4 milhões de reais, ou seja, quando findar a promíscua parceria, em junho deste ano, a M.W.S Buffet terá embolsado do erário público, só na área de segurança pública, mais de 36 milhões de reais.


Hemopa - Ainda no mês de junho de 2019, a empresa foi agraciada com o seu terceiro contrato. Agora para atender a demanda de quentinhas para a Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Pará, Hemopa.


O valor acordado, para a prestação de serviço de seis meses foi de R$ 138.384 (cento e trinta e oito mil, trezentos e oitenta e quatro reais). Em dezembro do mesmo ano, o Hemopa aditou o contrato em mais R$ 34.596. (Trinta e quatro mil, quinhentos e noventa e seis reais.) Em fevereiro de 2020, o Hemopa premiou a empresa do padrinho dos sobrinhos de Helder Barbalho com outro contrato, no valor de R$ 4. 409.741,00 (quatro milhões, quatrocentos e nove mil reais, setecentos e quarenta e um reais.)


De março de 2019 para cá, a coisa só melhorou para os compadres: foram quase R$ 100 milhões repassados pela gestão Helder Barbalho a M.W.S. Eventos. O mais grave é que, até hoje, não existe sequer procedimento apuratório para investigar uma negociata tão escandalosa e corrosiva para a população paraense, que sofre nas filas e nas portas de hospitais, sem saber que enquanto isso, não muito longe da realidade nua e crua, padrinhos brindam com champanhe e caviar, mantendo um alto padrão de vida, as custas do erário.

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