• O Antagônico

O Hospital de Ulianópolis e o Erro Médico. A Morte da Mãe, Do Bebê e do Anestesista



Há algo de podre e fétido rondando o Hospital Municipal de Ulianópolis. O Ministério Público do Pará abriu uma investigação para apurar as circunstâncias da morte da jovem Ana Beatriz da Silva Souza, grávida de 8 meses e do bebê dela, sendo que os dois óbitos ocorreram dentro do hospital, na madrugada do dia 23 de fevereiro.


O anestesista que estava de plantão, Ezequias Lima da Silva, que participou da intervenção cirúrgica que levou a morte de Ana Beatriz, também teria morrido na última quarta-feira, 31 de março, por complicações da Covid 19. Nesta semana, a mãe da jovem, Ana Gleide Rodrigues da Silva, será recebida em Belém, no gabinete do Procurador Geral do Ministério Público, Gilberto Valente.


Em conversa com a reportagem de O Antagônico a mãe de Ana Beatriz contou em detalhes como tudo aconteceu e diz não entender o que de fato aconteceu com sua filha. Ana Gleide narrou que no dia 22 de fevereiro, sua filha, que estava com febre e gripada, passou mal em casa, ocasião em que seguiram para o Hospital Municipal de Ulianópolis, lá chegando por volta de 17:40 da tarde.


A filha foi levada então para dentro do hospital por uma atendente, ficando, a partir daí, isolada da mãe. Algum tempo depois, uma enfermeira informou a Ana Gleide que sua filha não estava bem e que precisariam induzir o parto do filho da mesma. Mais tarde, a enfermeira, de nome Eliane, disse a Ana Gleide, por volta de 19: 15 da noite, que o bebê havia nascido, ocasião em que pediu para a mesma ir em casa pegar um cobertor para Ana Beatriz.


A partir de então, o hospital começou a fornecer uma série de informações desconexas. Por volta de 23 horas, o enfermeiro Paulo informou a família que a equipe médica estava se preparando para realizar o parto, em contradição a informação anterior de que o bebê já havia nascido. Por volta de 3:30 da madrugada do dia 23 de fevereiro, o médico Samuel Almeida Costa, chamou a mãe para dar outra informação confusa: haviam feito um parto cesária em Ana Beatriz e, como a mesma sangrava muito, teriam que retirar o útero da paciente. Neste momento, a mãe diz que alertou os médicos sobre a alergia da filha aos medicamentos Dipirona e Lidocaína. “Foi nesse instante que eu vi chegar no hospital um senhor, trajando bermuda e camiseta, com uma valise nas mãos. O enfermeiro disse então: “Estávamos te aguardando”. Disse a mãe de Ana Beatriz, acreditando ser aquele homem o anestesista Ezequias Silva. Só as 4 horas da manhã é que os médicos revelaram a família que mãe e filho haviam morrido.


Para a mãe de Ana Beatriz, os médicos disseram que a mesma morreu com suspeita de Covid. No entanto, os próprios médicos disseram que fizeram o teste da doença e que o resultado deu negativo. O que é mais intrigante é que o laudo médico, de 2:30 da manhã, afirma que Ana Beatriz faleceu de parada cardíaca após cesariana. Em outro laudo totalmente conflitante com o primeiro, a informação é que o bebê nasceu as 3:38 da manhã, ou seja, mais de 1 hora depois do óbito da mãe.


Ana Gleide contou a O Antagônico que os médicos não queriam deixar ela levar o corpo da filha para ser velado em casa, sob a alegação que ela poderia ter morrido por Covid. “Um absurdo. Eles assinaram um laudo de parada cardíaca e depois disseram que era um caso suspeito de Covid”. Questiona a mãe afirmando que durante os acontecimentos da fatídica noite, estavam no hospital o secretário municipal de saúde e a diretora do hospital, Kely Jane Castro Leandro. “Queremos justiça. Queremos saber o que verdadeiramente aconteceu na mesa de cirurgia”. Diz a mãe de Ana Beatriz.


A reportagem pediu e novamente não obteve da prefeitura nenhuma nota sobre o caso. Nas redes sociais, a prefeita Kelly Cristina Destro, divulgou um vídeo afirmando que mandou instaurar uma sindicância para apurar o caso. A empresa de médicos que atua em Ulianópolis, contratada pela prefeita, sem licitação, está sendo investigada pelo Ministério Público.

3,934 visualizações0 comentário