• O Antagônico

O Abelardo Santos e a Ameaça de Paralização. O Contrato de R$ 90 Milhões e os Servidores em Risco


Na semana passada, O Antagônico publicou denúncias apontando gravíssimas irregularidades que estariam ocorrendo no Abelardo Santos, envolvendo a gestão do ISSAA. Hoje pela manhã, recebemos a informação de que, caso não sejam vacinados, os servidores devem paralisar as atividades, a partir de segunda-feira, 22. “Tudo que recebemos até hoje foi nossa rescisão da empresa que administrava o hospital. Continuamos trabalhando sem contrato e a maioria dos profissionais não foi vacinada, o que representa um risco para a saúde de todos”. Disse a O Antagônico um servidor do hospital, frisando que a ala pediátrica continua funcionando a todo o vapor, com crianças convivendo com infectados.


Todo o andar reservado para cirurgias e os leitos foi desativado e os leitos serão transformados para receber pacientes com Covid. “Os sedativos para intubação, como Fentanil, Midazolan, Prpopofol e Noradrenalina, estão acabando. Eles dizem que ainda tem para uma semana. Mas com a abertura de novos leitos isso será impossível”. Disse o funcionário à nossa reportagem, frisando que mesmo diante da situação limítrofe, o hospital já pretende trabalhar com portas abertas para pacientes de Covid, a partir de segunda-feira. “Ninguém fala nada nesse Instituto. Àquela nota que eles divulgaram é tudo mentira”. Reforçou o denunciante.


Na terça-feira, 16, O Antagônico recebeu uma imagem (foto acima) mostrando respiradores sendo retirados do Abelardo Santos em um caminhão Baú. O funcionário, que registrou o flagrante, não sabe dizer para onde os equipamentos foram levados. Nos próximos dias, O Antagônico fará uma série de reportagens sobre a atuação das OSs no Estado do Pará e as inúmeras denúncias envolvendo as mesmas. Sobre as novas denúncias, pedimos nota do ISSAA, porém, até a publicação desta matéria nossas mensagens não foram respondidas.


O ISSAA e os Milhões


Enquanto a Covid 19 está fazendo milhares de vítimas em todo o País, as Organizações Sociais, as chamadas OSs, estão ganhando fortunas com contratos milionários. No Pará, o Instituto de Saúde Social e Ambiental da Amazônia, ISSAA, é o dono da bola, recebendo uma verdadeira fábula do Governo do Pará. Na sexta-feira passada, o Diário Oficial publicou o Contrato de Gestão, com dispensa de Chamamento Público, para o gerenciamento, operacionalização e execução das ações e serviços de saúde, no Hospital Regional Abelardo Santos, “com a pactuação de indicadores de qualidade e resultado, em regime de 24 (vinte e quatro) horas por dia, assegurando assistência universal e gratuita, exclusiva, aos usuários do Sistema Único de Saúde – SUS.


O valor do contrato salta aos olhos: R$ 90.600.000,00 (Noventa Milhões e Seiscentos Mil Reais). Isso por um período de apenas seis meses, de 11 de março a 06 de setembro de 2021. Além do Abelardo Santos, o ISSAA gerencia a Policlínica Poli Metropolitana, anteriormente denominado Ambulatório Médico de Especialidades, AME.


O contrato de gestão foi firmado em 2018, comprometendo-se a SESPA a repassar para o ISSAA a bagatela de R$ 249.000.000 (Duzentos e Quarenta e Nove Milhões de Reais), por um período de cinco anos, sendo que a partir da celebração do contrato o ISSAA passou a receber mensalmente pouco mais de R$ 4 Milhões de Reais.

723 visualizações0 comentário