• O Antagônico

O Morto e a Venda da Associação. Os Advogados Presos e o Churrasco

Atualizado: Abr 8


O Ministro Sebastião Reis Junior, do STJ, manteve a prisão domiciliar do nacional Lázaro Martins, pela prática do crime de homicídio triplamente qualificado, praticado contra Cícero José Rodrigues de Sousa, presidente da APEA – Associação de Epilepsia de Redenção. A prisão preventiva, decretada pelo juiz de Redenção teve como fundamento as provas e diligências realizadas pela Polícia Civil após o desparecimento da vítima. Cícero Sousa, a vítima, não era nenhum santo. Muito pelo contrário. Ele estava negociando com Lázaro Martins e o advogado Marcelo Borges, acreditem, a “venda” da associação com o objetivo de receber elevados valores decorrentes de emendas parlamentares e ações judiciais mediante influência política de todos os envolvidos no crime.


Um contrato, encontrado na residência da vítima, foi apresentado à polícia, contendo cláusulas de pagamentos parcelados e ganhos futuros, a depender de emendas e do êxito de judiciais. Cícero chegou a convidar amigos para fazer churrasco no final de semana para celebrar sua candidatura a vereador. O Ministério Público do Pará ofereceu denúncia contra cinco acusados de participação no sumiço e homicídio de Cícero José Rodrigues de Sousa, conhecido como “Cícero da Arpea”.


A denúncia foi apresentada pelos promotores Leonardo Jorge Lima Caldas e Luiz da Silva Souza, após inquérito policial constatar a associação entre os cinco envolvidos no planejamento e execução da vítima no dia 20 de outubro de 2020. Sob o argumento de que iria receber quantitativo em dinheiro, fruto da negociação da venda da Associação que até então presidia, Cícero Sousa encontrou um dos denunciados (o executor) e com ele seguiu de carro até a saída de Redenção, sentido Santana do Araguaia, sendo realizada a execução da vítima em alguma localidade nas imediações.


Além do executor Thiago da Silva, a denúncia foi apresentada contra o “comprador” da Associação, Lazaro Marinho; o próprio advogado da vítima e da Associação, Marcelo Borges; bem como o também advogado José Sobrinho Junior e Samuel Lima Pinto, instituído como novo presidente da Associação, após uma assembleia extraordinária arquitetada com o objetivo de retirar a vítima da presidência da Arpea.


Além do homicídio triplamente qualificado, os denunciados vão responder por ocultação de cadáver, associação criminosa, fraude processual, falsidade ideológica e uso de documento falso, constatados nos autos de Inquérito Policial. Segundo o MPPA, os hediondos crimes decorreram de uma cadeia de eventos que somente foram revelados a partir da oitiva das testemunhas, pela autoridade policial, produção de provas técnicas, apreensão de documentos e de escutas telefônicas.

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