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O MPF. As Investigações. Os Poderosos. As OSs e as Perguntas para Alan Mansur



O Antagônico inicia hoje, domingo, 03 de outubro, uma série de entrevistas com autoridades, políticos, lideranças e representantes da sociedade civil do Pará. O primeiro entrevistado é Alan Mansur, procurador do Ministério Público Federal.


O Antagônico – Você está atuando nas investigações sobre o escândalo das OSS. Como estão os trabalhos?
Alan Mansur – Estão em pleno vapor. Trata-se de uma missão complexa, que envolve muitos personagens e empresas.

O Antagônico – A operação Reditus, cujos mandados de prisão e busca e apreensão foram requisitados pelo MPF, aponta para um grande esquema criminoso agindo e atuando dentro do Governo do Pará. O fato de envolver gente poderosa e influente dificulta os trabalhos de investigação?
Alan Mansur – Estamos cumprindo o nosso papel que é investigar. Se há crime temos que descobrir os culpados e denunciá-los à justiça, respeitando, é claro, a lei e os limites da investigação. Se o personagem envolvido é poderoso e influente será denunciado da mesma forma que os demais. O MPF não investiga olhando para poder aquisitivo ou poder político. Nosso trabalho é extremamente técnico e dentro dos ditames legais.
O Antagônico – O senador Jader Barbalho ingressou com uma Reclamação, deferida pelo ministro do STF, Dias Toffoli, alegando que estaria sendo investigado pelo  juiz federal Antônio Campelo e o delegado da PF, José Neto, mesmo sendo detentor de foro privilegiado. Qual a sua opinião sobre isso?
Alan Mansur – Eu vi que o juiz já se manifestou ao ministro, ressaltando que o senador não é investigado e nenhuma decisão judicial foi proferida com base em dados referentes a ele. O relatório em questão, produzido por um agente da Polícia Federal, não serviu pra embasar qualquer medida judicial em desfavor de Jader Barbalho ou qualquer outra pessoa com prerrogativa de foro. Esse relatório, na minha opinião, faz apenas menção ao nome do senador e não deve interferir, de forma nenhuma, no andamento das investigações. Concordo com a manifestação do juiz Campelo.

O Antagônico –  operação Reditus resultou em 61 prisões, sendo 6 preventivas e 55 temporárias. Hoje, apenas 5 continuam presos preventivamente e o Nicolas Tsontaski, apontado como operador do esquema, voltou para a prisão domiciliar. Algum acusado ou envolvido fez delação?
Alan Mansur – Ainda não. Existem muitos rumores sobre delações, inclusive do Alberto Beltrame. Mas nada se materializou nesse sentido.

E o Nicolas? Qual a sua opinião sobre o fato dele ter voltado para a prisão domiciliar ?
Alan Mansur – Fizemos nossa obrigação que é denunciar. Ele estava em prisão domiciliar anteriormente apenas no papel. Ele transitava de um lado para outro e estava levando uma vida normal. Pedimos a preventiva e o juiz deferiu. Mas o ministro Dias Toffoli decidiu de forma diferente. Quem vai brigar com o STF ? A nossa colega em Brasília já agravou essa decisão e estamos aguardando o julgamento.

O Antagônico - Existe previsão de novas operações?
Alan Mansur – Não podemos prever o futuro. O que posso dizer é que colhemos muitas provas e estamos analisando todas elas. Como se trata de muitos envolvidos, é um trabalho que leva tempo. Mas, a medida que surgirem novos elementos ou evidências, o MPF deverá agir de acordo com a necessidade e urgência que o caso requer, sempre respeitando a lei e o devido processo legal.

O Antagônico - O estado do Pará vive hoje tempos muito estranhos, com inúmeros escândalos de corrupção no governo e uma gritante apatia das instituições, entre elas o MP e a justiça estadual. Esse fator desencoraja uma atuação mais contundente do MPF?

Alan Mansur – Não vou fazer juízo de valor de outras instituições, até para não ser injusto ou ferir suscetibilidades. O que posso dizer, enquanto membro do MPF, é que estamos cumprindo nosso dever institucional. O MPF apura todas as denuncias que recebe, sem distinguir este ou aquele. É claro que as dificuldades e limitações existem, mas não impedem nossa atuação. O contribuinte é quem paga nosso salário e temos que fazer jus a ele .
O Antagônico - Existe previsão para oferecimento de denúncia contra os envolvidos no esquema das OSs?
Alan Mansur – Estamos trabalhando muito nisso. Como já disse, são muitos personagens e empresas envolvidas. Estamos analisando todo o material coletando nas buscas. Esperamos concluir os trabalhos em tempo satisfatório, do ponto de vista legal. Até lá serão as provas e evidências que darão o tom da atuação do MPF.
O Antagônico - No caso da Reditus todos os presos provisórios foram liberados, alguns com parecer favorável do MPF. Isso significa dizer que essas pessoas já estão livres da justiça?
Alan Mansur – Não é bem assim. Alguns foram liberados porque tinham participação mínima ou de pouca relevância. Mas as investigações continuam. Se surgirem novas evidências, a prisão provisória de hoje pode ser a preventiva de amanhã.

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