• O Antagônico

O Nicolas. A Quadrilha Familiar. A Minotauro. O Posto João Paulo II e a Lavagem



O esquema de lavagem de capitais operado por Nicolas Tsontakis, o “Gordo”, contava, prioritariamente, com o auxílio de pessoas próximas ao seu convívio, incluindo parentes e amigos, além de uma vultosa movimentação financeira que se deu em nome de Nicholas André Silva Freire, sendo esta uma identidade falsa criada por Nicolas Tsontakis, que também se vale de pessoas jurídicas que estão em nome de interpostas pessoas, embora sejam totalmente controladas por ele, destacando-se, nesse contexto, a empresa Minotauro Group Empreendimentos de Combustível e o Auto Posto João Paulo II Ltda.


Com o nome de Nicholas Freire, o verdadeiro Nicolas abriu contas bancárias, movimentou milhões de reais, comprou bens móveis e imóveis, recebeu outorga para administrar empresas, bem como praticou diversos atos da vida civil. Conforme a investigação da PF, entre janeiro de 2019 e setembro de 2020, Nicolas movimentou quase cinquenta milhões de reais. Essa expressiva movimentação financeira não possui lastro de licitude, haja vista que Nicolas não exerce qualquer atividade lícita que justifique o montante transacionado.


Desse valor, quase R$ 4 milhões foram repassados diretamente pelas empresas subcontratadas pelas Organizações Sociais para o operador financeiro por meio da conta de Nicholas Freire. Neste período, valores consideráveis foram repassados pelas empresas a Nicolas:

Heatech Serviços, R$ 733.000,00; M C.Pompeu Consultoria, R$ 695.000,00; Ivone Valle Cocca Moralis, R$ 650.000,00; Human C Medica, R$ 228.000,00; Lucineia E S Boldarini, R$ 200.000,00; Plenitude, R$ 177.000,00; Osvaldo Coca Moralis, R$ 160.000,00; Via Care Pará, R$ 130.000,00; Marcos A G Carvalho, R$ 127.000,00; L G Serviços Profissionais, R$ 100.000,00; Mirrortech, R$ 100.000,00; O S Vigilância, R$ 100.000,00; V C Moura Serv R$ 90.000,00; Impulsione, R$ 78.600,00; Lucas Rodrigo Oliveira VI, R$ 75.600,00; Norte Ambiental, R$ 50.000,00; Ativa Med R$ 22.000,00.

Nicolas também se valia do Auto Posto João Paulo II, posto de gasolina administrado por sua família, para praticar atos de lavagem, inclusive com intensa movimentação financeira entre as respectivas contas bancárias.


Além das pessoas jurídicas, ele também pratica atos de lavagem em conluio com seu irmão José Bruno Tsontakis Morais, sendo que este recebeu mais de R$ 1 milhão de reais, através de 137 transações bancárias.


Outro personagem importante no esquema é Manoel Rodojalma Medeiros. Ele é o empregado de maior confiança Nicolas, a quem este chama de “gerente”, especialmente porque Manoel auxilia Nicolas nas cobranças e pagamentos financeiros de interesse do esquema criminoso, cuidando da administração dos negócios ilícitos, além de servir como testa de ferro. Pela conta de Manoel passaram mais de R$ 600 mil reais, originados da conta de Nicholas Freire. Outro personagem importante no esquema é José Arnaldo Izidorio Morais, pai de Nicolas.


A Minotauro, uma das empresas usadas por Nicholas para lavar dinheiro, iniciou suas atividades no dia 06 de novembro de 2014, tendo como sócios Murilo Sallum Nicoletti e Paulo Cesar Nicoletti. A empresa tinha como objeto social a venda de lubrificantes e loja de conveniência, estando localizada no município de Benfica. No ano de 2016, Carlos Augusto da Silva Guimarães, testa de ferro de Nicolas, atuou como representante da empresa.


Em 2019, mais precisamente de 24 de julho a 19 de dezembro, Nicholas André Freire, nome fictício, figurou como único sócio da Minotauro, substituindo Carlos Guimarães. Já em dezembro de 2019, o nome Nicholas Freire é substituído no quadro societário por Guilherme Lima da Silva, outro testa de ferro. Tal substituição, por si só, demonstra que Guilherme não é proprietário de fato da Minotauro, uma vez que se tornou proprietário de uma empresa com um capital social de R$ 1 milhão de reais, quando ainda tinha dezoito anos, e sem possuir lastro financeiro para tanto. As fraudes na mudança do quadro societário da empresa ficaram evidenciadas nas conversadas, via WhatsApp, travadas entre Nicolas e o contador Walber Júnior de Araújo Silva.


CONTINUA NO DOMINGO, 22.


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