• O Antagônico

O Nicolas. O Médico. Os Laudos. A SEAP e a Regalia



Quando retornou à prisão, na operação da PF realizada na semana passada, Nicolas Tsontaski, o inimigo público n.º 01 da população paraense, por conta dos desvios milionários na verba de enfrentamento à pandemia, demonstrou que continua exercendo influência sobre o governo do Pará. Explica-se: mesmo se tratando de preso comum, ele foi levado para o Centro de Recuperação Anastácio da Neves, reservado apenas para servidores públicos que cometeram crime.


De acordo com o Regimento Interno da SEAP, o Anastácio das Neves destina-se à custódia de pessoas presas, condenadas ou provisórias, na qualidade de servidores públicos da administração pública direta ou indireta, federais, estaduais ou municipais. Nicolas Tsontakis, certamente não se enquadra no perfil da cadeia. Muito pelo contrário.


Um outro fator chama a atenção. Segundo o relatório do médico Arthur Salomão Rocha, Nicolas é portador de várias doenças. Dentre as “patologias”, Nicolas teria síndrome Plurimetabólica, colesterol elevado, Pressão alta, Hipotiroedismo, insônia, tiques nervosos e inquietação. Praticamente um morto vivo. No entanto, a investigação da Polícia Federal mostrou que, apesar dos seus 178 quilos, Nicolas, enquanto esteve em prisão domiciliar, levava uma vida normal e com padrões acima da maioria da população brasileira, viajando em avião particular, vacinando gado, dirigindo, frequentando festas e ostentando uma vida de nababo, enfim, tudo aquilo que os pobres mortais não tem acesso.


Os relatórios do médico beiram o escracho e ofendem a inteligência de qualquer pessoa minimamente esclarecida. Em um deles, Arthur Salomão diz que, no período em que esteve em prisão domiciliar, desde novembro de 2020, Nicolas teve picos de pressão altíssimos. No entanto, no dia em que foi recolhido novamente à carceragem, o mesmo tinha pressão de 12 por 7, ou seja, de criança.


Em outro relatório, pretérito à prisão, o médico afirma, de forma graciosa, como item mais importante do diagnóstico, que Nicolas Tsontaski, deve cumprir sua prisão domiciliar, não em sua residência, por trazer constantemente a lembrança da abordagem policial, (segundo o médico o principal fator de estresse para seu cliente ), mas em um ambiente tranquilo, no caso a fazenda de Nicolas em Peixe Boi, “onde o mesmo viveu 10 anos de uma vida tranquila e saudável, juntamente com sua esposa, tendo acompanhado o nascimento de seus filhos”. Trocando em miúdos, puro escarnio com as famílias das milhares de vítimas fatais da Covid 19 no Pará.

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