• O Antagônico

O Nicolas. O MPF. O Milton Bonny. O Apartamento. Igarapé-Açu e a Vila Jabuti

Atualizado: Nov 1



O MPF interpôs Agravo Interno no STF, contra a decisão do ministro Dias Tofolli, que concedeu prisão domiciliar ao operador da máfia das OSs no Pará, Nicolas Tsontaski. Um dos argumentos do MPF para que Nicolas volte para a cadeia é que, mesmo estando em prisão domiciliar, desde 2020, quando foi preso pela primeira vez, o mesmo passou a ocultar patrimônio e levava vida normal, viajando em seu avião particular, frequentando festas e casas de prostituição.


Em contrarrazões ao Agravo, os advogados de Nicolas argumentam, de forma graciosa, que a informação de Polícia Judiciária apresenta fotos de Nicolas próximo a um avião, no meio de animais bovinos, em locais turísticos, com destaque peculiar para a foto de um charuto. Também transcreve trechos de uma conversa de WhatsApp extraída do telefone de seu genitor, José Arnaldo, onde Bruno, seu irmão, diz que Nicolas estaria gastando considerável quantia de dinheiro semanalmente com prostituição, circunstâncias que sugeririam que o Nicolas detinha condição de saúde plena.

“Ao contrário do que sugere o Ministério Público Federal, o Agravado sempre necessitou de cuidados médicos especiais, seja em razão da superobesidade grau III, diabetes e esteatose hepática avançada que o acometem, seja em razão do trauma de crânio e dos 42 dias em coma que permaneceu após uma queda ao cavalgar.”

É de lascar !!


Os advogados também rebatem a sustentação do MPF, dando conta de que Nicolas continuou a praticar crimes enquanto esteve em prisão domiciliar, agindo no sentido de ocultar o patrimônio que adquiriu com os recursos ilícitos obtidos por meio dos delitos pelos quais está sendo investigado e processado, mediante a transferência a terceiros, inclusive empregados, que atuam como “laranjas”, dos bens imóveis obtidos com a prática de crimes.


Em manifestação, datada de 25 de outubro, o MPF se manifestou acerca do Incidente de Falsidade Documental, acreditem os leitores, protocolado por Nicolas, em face da empresa Norte Ambiental Gestão Serviços, representada por Cleiton Teodoro da Fonseca. No protocolo, o operador das OSs da Máfia das OSs quer fazer crer que existe, vejam até onde vai a cara de pau, falsidade de escritura pública referente ao apartamento 1301 do Edifício Ritz, localizado na Avenida Almirante Wandenkolk nº. 135 em Belém Pará, adquirido pelo próprio Nicolas no dia 29 de abril de 2019, do então proprietário Milton Francisco de Souza Júnior, o “Milton Bonny”, médico muito conhecido em Belém e Santarém.


Bonny, só para refrescar a memória do leitor, era um dos chefes do hospital Abelardo Santos, com as bênçãos de Nicolas. Em uma jogada ensaiada, Nicolas alega que ele e a antiga proprietária do referido imóvel, a esposa de Milton Bonny, requereram certidão atualizada da matrícula do mencionado apartamento junto ao Cartório de Registro de Imóveis, ocasião em que tomaram conhecimento da venda, em 17 de junho de 2021, realizada à empresa Norte Ambiental, de propriedade de Cleiton da Fonseca. Sustenta ainda que descobriram que a Escritura Pública havia sido lavrada às folhas no Cartório Palha de Souza, Vila de São Jorge do Jabuti, Comarca de Igarapé Açu, a mais de 120 Km da Capital. Nicolas afirma ainda que a venda foi realizada à sua revelia e que a assinatura de Milton Bonny, na escritura, é falsa.


"O presente pedido não deve ser acolhido. Isso porque não há dúvidas sobre a falsidade da referida escritura, sendo desnecessário o presente incidente. Vê-se ainda que o requerente com o presente pedido tenta descontextualizar um fato, o qual envolve e necessita de um conjunto de provas que vão além da falsidade da mencionada escritura pública para imputação dos responsáveis pelas práticas dos diversos ilícitos apurados. Além disso, também verifica-se que a intenção aqui é convencer quem é o responsável pelo negócio fraudulento da mencionada compra e venda, não sendo esse o objetivo do presente instituto. Com isso é perceptível que o presente incidente é totalmente desnecessário.”

Rechaçou o procurador da república Alan Rogério Mansur.

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