• O Antagônico

O Operador. A Lavagem de Dinheiro. Os R$ 456 Milhões. As OSs e o Cabide de Emprego



Engana-se quem acredita que o esquema criminoso das OSs, dentro da gestão de Helder Barbalho, é simples. Ao contrário, o grau de complexidade e sofisticação da empreitada criminosa, somado ao alto poder político e econômico dos investigados, é o que deu a tônica da investigação criminal. Na investigação da PF, um fator surpreendeu a todos. A desenvoltura e audácia do operador do esquema Nicolas André Tsontakis Morais, alcunhado de “O Gordo”.


Personagem central da história, Nicolas, da noite para o dia, passou de um ilustre desconhecido, com pequenos negócios na cidade de Capanema, a mentor de um dos maiores esquemas de corrupção que se tem notícia no Estado do Pará. Estamos falando, caros leitores, de uma quadrilha densamente estruturada e acompanhada de um forte esquema de lavagem de bens, dinheiro e valores.


Para a PF, causou estupefação o elevado grau de reprovabilidade dos crimes praticados, consistentes, de forma abreviada, no desvio de recursos públicos da área da saúde, de uma população majoritariamente pobre e durante a pior crise sanitária e hospitalar que o Brasil já enfrentou. Os números são assombrosos!! O Governo do Estado do Pará repassou às Organizações Sociais, somente no biênio 2019/2020, quase R$ 456 milhões de reais, sendo que as OSs pulverizaram estes recursos por meio da subcontratação de mais de duzentas pessoas jurídicas, havendo fortes indícios de que a maior parte delas integra o esquema criminoso.


O esquema fazia uso de todos os meios espúrios, permitindo todo tipo de vantagens, dentre as quais possibilitar a criação de cabide de empregos a serem ocupados por pessoas próximas ao grupo criminoso (familiares, amigos e correligionários). Para compor o quadro de pessoal, ao invés de concurso público, os “candidatos”, quando muito, eram submetidos à análise curricular que, quase sempre, tratava-se de puro formalismo, pois o que prevalecerá era a relação de compadrio. Faz-se mister ressaltar que uma estrutura criminosa dessa envergadura somente é implementada através da existência de uma Organização Criminosa sedimentada.


Nicolas, o operador financeiro é a pessoa que, dentro da estrutura criminosa, concentrava boa parte da movimentação financeira e orquestrou os principais atos de lavagem de capitais. O “Gordo”, é a pessoa que transita em vários núcleos da organização criminosa, controlando um conglomerado que envolve centenas de pessoas físicas e jurídicas. Nicolas recebia parte dos valores desviados em contas de interpostas pessoas, mas que permaneciam sob seu domínio. Quando os valores estavam à disposição, ele praticava uma série de atos a fim de dar aparência de legalidade aos recursos de origem espúria, entre eles investimento dissimulado na atividade pecuária, especialmente com o arrendamento de fazendas e a compra de gado, a maioria na região de Paragominas e Ipixuna do Pará.


CONTINUA NESTE SÁBADO, 21. 

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