• O Antagônico

O Pai de Helder. O Mandato Incompleto. As Urnas Emprenhadas no Garimpo e a Maldição

Atualizado: 30 de dez. de 2021



O Antagônico inicia hoje uma série de matérias fazendo uma retrospectiva das eleições estaduais no Pará, a partir de 1982, quando Jader Barbalho, pai de Helder Barbalho, se elegeu, pela primeira vez como governador do Pará. Desde então, as estatísticas e os números mostram, com clareza e objetividade, que as eleições para o governo do Pará sempre foram difíceis e cheias de surpresas, desafiando favoritismos.


Em 1982, Jader Barbalho, que tinha Laércio Franco como vice, foi eleito governador com a soma de 501. 605 votos, o equivalente a 51,09% dos votos válidos, derrotando a chapa do Partido Democrático Social (PDS), que tinha como candidato a governador Oziel Carneiro. Jader concluiu o mandato de governador em 1987, passando a faixa ao papudinho Hélio Gueiros, que rompeu com Barbalho após ser empossado como governador.


Nas eleições seguintes, de 1991, Jader concorreu pela segunda vez ao governo, sendo eleito em segundo turno, em uma votação apertadíssima: Jader teve 708.703 votos contra 701. 403 votos obtidos por Said Xerfan, do PTB. Esta eleição ficou marcada por denúncias de manobra na contagem dos votos, sendo que as urnas da região garimpeira de Itaituba, onde imperava a violência e a pistolagem, que aquela altura tinha o temido e destemperado Wirland Freire como chefe político, foram decisivas para a vitória de Jader. Não por acaso, o filho de Wirland, Wilmar Freire, candidato de primeira viagem, foi o deputado estadual mais votado naquela eleição, obtendo inacreditáveis 20.315 votos.


À época, ficou clara a dobradinha, nas famosas “cédulas”, com votos garantidos, por bem ou por mal, para Wilmar Freire e Jader Barbalho. Trocando em miúdos, Jader, reconhecidamente o candidato com mais mandatos no Pará e com a trajetória mais longeva na política, na segunda e última vez que chegou ao Palácio dos Despachos, só se elegeu graças as “urnas emprenhadas” da comunidade garimpeira, capitaneados por Wirland Freire, naqueles idos um dos homens mais ricos do Baixo Amazonas, sendo o maior distribuidor individual de combustíveis do Norte e Nordeste.


Nos anos 80, quando a pistolagem era palavra de ordem em vários municípios paraenses, através do programa dominical Fantástico, da Rede Globo, o nome do empresário Wirland Freire surgiu em meio a uma reportagem sobre o crime organizado no Baixo Amazonas, notadamente na rota do ouro que perpassa os 400 garimpos do município de Itaituba. Na matéria, uma entrevista dada pela escrivã de polícia Maria da Conceição Marques Pinto, lotada na Delegacia Regional de Santarém, levantou a suspeita sobre vários homicídios ocorridos na região, cujo mandante seria Wirland. Apesar das denúncias, o apadrinhado de Jader nunca foi processado ou indiciado por crimes de homicídio. Já os filhos dele, Wirland Freire Filho e Guirland Freire, foram presos por envolvimento direto em assassinatos.


Dois anos depois de se eleger governador pela segunda vez, em 1992, Jader Barbalho retribuiu o apoio da família Freire, colocando todo o aparato do estado em favor da candidatura de Wirland, que se elegeu prefeito de Itaituba. Reeleito em 2000, Freire morreu no cargo, em agosto de 2002.


Diga-se de passagem que Jader não concluiu o segundo mandato. Acossado em denúncias e bastante desgastado, ele renunciou ao mandato para concorrer ao senado, deixando o governo nas mãos do vice Carlos Santos. Mas foi em 1998 que Jader conheceu o revés nas urnas: Se arriscando novamente ao governo do Pará, pela coligação Caminhando com o Trabalho, composta pelo PMDB e pelo PFL, ele foi derrotado pelo tucano Almir Gabriel, que se reelegeu, no segundo turno, com mais de 839 mil votos, 150 mil a mais que Jader.


Essa, na verdade, foi uma segunda derrota de Jader. Isso porque nas eleições anteriores de 1994, Jarbas Passarinho, apoiado por Jader e apontado como favorito, chegou a largar na frente, sendo derrotado, no segundo turno, pela União Pelo Pará, de Almir Gabriel. Desde então, Jader Barbalho, que sempre foi ojerizado pelo eleitorado da capital paraense, (ele apoiou vários nomes em Belém mas nunca conseguiu eleger ninguém do MDB), vem se mantendo na política com cargos de deputado federal e senador.


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