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O Sobral Santos II. Os 40 Anos do Naufrágio. O Livro e a História

Atualizado: Set 20



O naufrágio do navio Sobral Santos II, que naufragou no porto de Óbidos matando mais de 300 pessoas completa 40 anos hoje. Um livro, de autoria do jornalista Evandro Corrêa, contando a história do Sobral e de outros 39 naufrágios ocorridos no Brasil será lançado em Belém na primeira quinzena de outubro.


A embarcação havia saído de Santarém com destino a Manaus, conduzindo 530 passageiros e 200 toneladas de carga pelo rio Amazonas, naufragando na madrugada de 19 de setembro de 1981, no porto de Óbidos, primeira escala da viagem, 9 horas depois de desatracar do ponto de partida.


Eram 3h30 e a maioria dos passageiros dormia nos camarotes ou nas redes atadas sobre a carga que se espalhava desde o porão até o convés do barco. Segundos depoimentos de sobreviventes, a embarcação navegava com excesso de peso e apresentava infiltração desde a partida de Santarém. O comandante do barco, Davi Ferreira, chegou a ser advertido do perigo. Mas de acordo com relatos, ele teria respondido que não tinha nada a ver com passageiros e que o negócio da embarcação era carga.


A versão mais aceita aponta o deslocamento da carga como causa principal do naufrágio. A carga estava mal acondicionada, grades de cerveja e refrigerantes não estavam amarradas e após a atracação no porto, com a movimentação de passageiros para a amurada, a carga fez movimento semelhante e causou o adernamento do Sobral Santos, que mergulhou nas águas barrentas do rio Amazonas em menos de cinco minutos.


Estima-se que não levou 10 segundos para percorrer os 130 metros de profundidade e bater no solo do rio. Dos 530 passageiros, apenas 178 foram relacionados por um oficial da Marinha com sobreviventes, dos quais 53 ainda ficaram hospitalizados na Santa Casa de Misericórdia de Óbidos. O "Velho Gaiola" como era popularmente conhecido o Sobral Santos II pertencia a empresa Onze de Maio Navegação (Onzenave), de Manaus, dos irmãos Calil e Tufic Mourão. Dois anos depois de içado do fundo do rio Amazonas o Sobral Santos II voltou a navegar com o nome de Cisne Branco.

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