• O Antagônico

O torturador e a homenagem



O presidente do Superior Tribunal de Justiça, Humberto Martins, suspendeu, na quarta-feira, 06, decisão da Justiça Federal de São Paulo que determinou ao governo Bolsonaro a publicação de direito de resposta às vítimas e familiares de alvos da ditadura militar.


A decisão da Justiça Federal tinha sido motivada por homenagem da Secretaria de Comunicação do governo federal ao tenente-coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, o Major Curió, ex-prefeito de Curionópolis, município cujo nome foi uma imposição do major para homenagear a si mesmo. O ministro atendeu a pedido da Advocacia-Geral da União.


Em 2020, a Secretaria de Comunicação fez uma postagem que classificou como “heróis do Brasil” os agentes públicos que atuaram na repressão à Guerrilha do Araguaia. A publicação é acompanhada de imagem do encontro, em maio do ano passado, entre o presidente Jair Bolsonaro e Sebastião Curió, 81 anos, oficial do Exército que comandou a repressão à guerrilha e é acusado pelo Ministério Público de homicídios e ocultação de cadáveres. À Justiça, ele confessou duas mortes.


A postagem afirma o seguinte: “A guerrilha do Araguaia tentou tomar o Brasil via luta armada. A dedicação deste e de outros heróis ajudou a livrar o país de um dos maiores flagelos da história da humanidade: totalitarismo socialista, responsável pela morte de aproximadamente 100 milhões de pessoas em todo o mundo”.


Em dezembro do ano passado, o desembargador André Nabarrete Neto, da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), determinou o direito de resposta, atendendo a um pedido feito por uma ação popular.

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