• O Antagônico

O TRE do Pará, A Vitória do Zequinha, A Relatora Militante e a Derrota do Barbalho


O Tribunal Regional Eleitoral rejeitou, agora a pouco, por 5 votos a 2, a Ação que pede a cassação do diploma do senador Zequinha Marinho. A Ação foi ajuizada em 2019 pelo diretório paraense do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e pelo ex-candidato à reeleição a senador, Flexa Ribeiro.


A relatora do feito, Luzimara Costa Moura, votou pela cassação dos diplomas de Marinho e de sua esposa. O juiz Rafael Fecury, ainda tentou pedir vista, mais mudou de ideia diante da postura dos demais membros, que resolveram adiantar o seu voto, sepultando a ação.


O voto, sem entrar no mérito se Marinho e a esposa são culpados ou inocentes, mostra como a relatora está afinada com os interesses do governador Helder Barbalho, o grande derrotado na votação da manhã de hoje. Não é por acaso que a mesma, ora juíza do TRE pelo quinto da OAB, que num julgado bem recente livrou a cara da mãe do governador, Elcione Barbalho, está a quatro dias de deixar a cadeira no Tribunal Eleitoral do Pará. O mandato de Luzimara expira na próxima sexta-feira, 14. Já vai tarde.


A juíza em questão, também não por acaso, já foi procuradora jurídica da prefeitura de Santarém na gestão do então prefeito Joaquim Lira Maia (DEM). Em 2014, Maia foi o candidato a vice governador de Helder Barbalho na campanha para o governo do Estado. No julgamento de hoje, visivelmente nervosa, Luzimara, ao ser confrontada por seus pares, saiu do salto e fez defesa fervorosa de Elcione. A representante chegou a usar o termo “prova diabólica” e outras palavras pouco republicanas para defender seu voto. Trocando em miúdos, a celeridade no julgamento de Marinho é prova indubitável do chamado casuísmo clássico.


A pressa da juíza Luzimara em desapear Zequinha Marinho do cargo, visa enfraquece-lo politicamente e impedi-lo de concorrer às eleições do ano que vem. O voto de Luzimara só encontrou eco junto a presidente da corte Nadja Guimarães, a mesma que concedeu recentemente Habeas Corpus ao governador, em uma ação que aponta uso de fake news nas eleições de 2016, que estranhamente, não segue com a mesma celeridade no TRE paraense. Faltou combinar os dois votos com os russos.


A evidente subserviência de setores da justiça ao governador do Pará faz lembrar a Colômbia dos anos 80, onde o temido mega traficante Pablo Escobar impunha sua vontade na base “da plata ou do chumbo”. Naquela década, quem não se curvasse às ordens de Dom Pablo, fosse juiz ou fosse um simples soldado, teria o mesmo fim. Na Colômbia paraense do século XXI, os métodos são outros, mas não menos imorais. Na ditadura amazônida imposta pelo clã Barbalho, tem que tá tudo dominado, do engraxate ao desembargador.


A dita grande imprensa paraense, leia-se grupo Liberal e Diário do Pará, sob o peso monetário, estão pra lá de afinados com as regras do jogo comandado pela família Barbalho. E a população que se dane. Como diria Boris Casoy, isto é uma vergonha !!!


O voto de hoje, da juíza militante Luzimara, está, certamente, fazendo o grande Rui Barbosa se revirar no túmulo. E é com uma frase de Barbosa que O Antagônico encerra esta matéria. “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

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