• O Antagônico

Os Donos do Pará, Helder e o Ganhar ou Ganhar, O Risco Calculado e a História Recente



Helder Barbalho, o Rei do Norte, segue com seu audacioso plano para se reeleger governador do Pará no pleito do ano que vem. Trata-se da missão mais espinhosa da família Barbalho desde o início da trajetória do clã na política, nos idos de 1964, quando Laércio Wilson Barbalho, avô de Helder, chegou ao cargo de deputado federal e em seguida teve o mandato cassado pela ditadura.


Mesmo com todos os anos de “escola política”, os Barbalhos, que se intitulam “os donos do Pará”, guardam reveses históricos: Nunca conseguiram eleger um prefeito da capital paraense, cuja maioria do eleitorado tem aversão a Barbalho, e jamais emendaram mandatos consecutivos de governador, feitos só atingidos pelos tucanos Simão Jatene e Almir Gabriel.


O pai de Helder, Jader Barbalho, o maior cacique da política paraense, fato reconhecido até por adversários, foi eleito duas vezes para governar o Estado, não chegando a encerrar o segundo mandato. Jader chegou ao governo pela primeira vez em 1982, pelo PMDB, ao lado de Laércio Franco, candidato a vice, alcançando 501.605 votos, o equivalente a 51,09% dos votos válidos, derrotando a chapa do Partido Democrático Social (PDS), que tinha Oziel Carneiro como candidato a governador. Jader só retornaria ao governo do Pará em 1990, em uma eleição pulverizada de denúncias de fraude, tendo sido eleito com as urnas “emprenhadas’ dos garimpos de Itaituba.


Entre o primeiro e o segundo mandato, Jader tratou de se apadrinhar em Brasília e usar ministérios para voltar ao poder no Pará. Ele foi nomeado Ministro da Reforma Agrária, pelo então presidente José Sarney, assumindo também a presidência do INCRA ainda no mesmo ano. Em julho de 1988, trocou o Ministério da Reforma Agrária pelo da Previdência Social, assumindo o lugar de Renato Archer. E haja a fazer política as custas dos cargos, aulas brilhantemente assimiladas pelo filho Helder, num passado mais recente, usando e abusando dos ministérios para se eleger governador.


Convém fazer jus a história frisar que Jader nunca foi um bom governador para o Estado, estando sempre próximo dos escândalos envolvendo dinheiro público. Tanto isso é verdade que Jader, na segunda vez que foi governador, temendo ficar sem mandato, renunciou ao cargo em abril de 1994, para concorrer a uma vaga na Câmara Federal, deixando um “presente de grego” nas mãos do vice, o empresário e cantor Carlos Santos, que carregou um piano para cumprir o mandato.


Em outubro de 1998, Jader, então senador, sofreu o maior revés de toda a sua trajetória política. Pousando de favorito para o governo do Pará, diga-se de passagem em uma época que nem se sonhava com redes sociais, Jader, tendo como vice Parsifal Pontes, encabeçando a coligação "Caminhando com o Trabalho", composta pelo PMDB e pelo PFL, foi derrotado no segundo turno pelo tucano Almir Gabriel, que se reelegeu governador, obtendo 981.409 votos, o equivalente a 53,89% dos votos válidos.


Agora, passados 28 anos desde que Jader deixou o cargo de governador, Helder Barbalho, que já foi vereador, prefeito de Ananindeua, deputado e ministro de duas pastas, seguindo a trajetória do pai, inclusive no quesito escândalos de corrupção, parte agora para a maior cruzada da história da família: a reeleição como governador.


Para tocar o projeto, dinheiro público não falta. Partidos e figuras políticas a venda, no varejo e no atacado, também não. Mas a caminhada não será um “céu de brigadeiro”. Muito pelo contrário. Dois fatores preponderantes sustentam esta vertente. Helder investiu um caminhão de dinheiro na campanha de José Priante, para a prefeitura de Belém, na última eleição. Mas ele sequer foi pro segundo turno obtendo modestos 123 mil votos.


Nas eleições de 2014, Helder, mesmo vencendo o primeiro turno com a soma de 1.795.992 votos (49,8%), foi derrotado no segundo turno por Jatene. E ainda existem outras variantes: STJ, Polícia Federal e CPI da Covid, de onde pode sair tudo... ou nada. Uma mexida nesse complicado tabuleiro pode mudar todo o jogo.


Helder, que conseguiu a façanha de superar o pai em escândalos, com secretários de sua gestão presos pela PF e ele próprio alvo de investigação, não pode nem pensar em perder a eleição. Afinal, ele sabe que ficar sem mandato pode custar muito caro. Por muito menos, o pai, Jader, foi algemado e preso em 2002, logo após perder o foro privilegiado. E nessa façanha o governador não quer superar o cacique do MDB. Dito isto, fica o aviso aos navegantes que eleição para governo do Pará nunca foi, e nunca será fácil. E esta, certamente, não será a primeira.

816 visualizações0 comentário