• O Antagônico

A delatora e os respiradores. O Governador e a PF


O cerco está se fechando ao redor de governadores envolvidos em fraudes na compra de respiradores. Presa no final de junho em uma operação da Polícia Federal que investiga fraudes e desvios de dinheiro público na compra de respiradores durante a pandemia de Covid-19 no Amazonas, a ex-gerente de compra da Secretaria de Saúde, Alcineide Figueiredo, em depoimento à PF, deu detalhes de como foi a articulação para a compra dos aparelhos e ligou o nome do governador Wilson Lima à reunião que determinou a compra.

Em depoimento, Alcineide afirma que, na data em que a compra foi acertada, no dia 21 de março, ela foi chamada na sala do secretário de saúde à época, Rodrigo Tobias, na presença do secretário executivo João Paulo, e de Guttemberg Alencar, apresentado à ex-gerente por Rodrigo Tobias como pessoa presente na reunião "a mando" do governador Wilson Lima.

Alencar é empresário e militar da reserva da Polícia Militar, trabalhou na campanha do governador e é conhecido por ser alguém que tem trânsito em vários governos.

A ex-gerente segue, no depoimento, a detalhar como foi tratada em reunião a decisão da compra dos respiradores da empresa Sonoar - que vendeu os 28 respiradores para a empresa de vinhos antes da venda para o estado com uma diferença de R$ 500 mil no valor. Ela afirma que Alencar ligou para a sócia da Sonoar, Luciane Andrade - também presa pela PF na Operação Sangria - e disse que faria a compra. Luciane é socia da Sonoar, que também tinha como sócio oculto - naquele momento- , o marido da secretária de comunicação a época, Daniela Assayag, que foi exonerada do cargo dias após a operação.

São seis páginas de transcrição do depoimento da ex-gerente à PF. Em certo momento, ela diz que chegou a alertar o secretário de saúde que aqueles aparelhos que estavam sendo adquiridos eram do tipo ventiladores pulmonares, que servem para pacientes menos graves, que ainda têm capacidade respiratória, e não serviam para atender a demanda da pandemia - que já matou mais de 3 mil pessoas no Amazonas. A venda foi consolidada mesmo assim, por quase R$ 3 milhões pagos com recursos públicos federais.

Oito pessoas foram presas e 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos no dia 30 de junho durante a operação da PF que investiga o esquema de compra de respiradores durante a pandemia. Entre os presos estavam a, então, secretária de saúde Simone Papaiz, e sócios das empressadas relacionadas à compra e venda dos aparelhos.

O governador Wilson Lima foi alvo de busca e apreensão determinada pelo ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele estava em Brasília quando os mandados foram cumpridos. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão do governador, mas o ministro negou. Investigadores relataram que Lima se recusou a fornecer a senha de seus celulares à PF..

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