• O Antagônico

Tucuruí. O Hospital Regional. O Diretrizes. A Advogada Cabeleireira e a Vendedora de Sacolé

Atualizado: Set 28



O promotor de justiça de Tucuruí, Luiz Alberto Almeida Pressoto, determinou a abertura de Procedimento Preparatório para apurar irregularidades na Execução e formulação do Contrato de Gestão 006/2020, firmado entre a Organização Social Instituto Diretrizes e a Secretaria Estadual de Saúde do Pará no âmbito da gestão do Hospital Regional de Tucuruí, referente a pagamentos feitos em face de serviços não prestados.


Na verdade, caros leitores, o procedimento trata-se apenas da ponta do iceberg que se tornou a péssima gestão do Instituto Diretrizes no Hospital de Tucuruí. O Diretrizes é outro, dos muitos Institutos que gerem unidades de saúde no estado do Pará e que não se sabe como se deu tal contratação. O Instituto Diretrizes surgiu em 2006 e presta serviços na área de saúde para os estados do Pará, Maranhão e Amazonas e para os municípios de Barueri, Osasco, Itupeva e a própria capital, São Paulo.


A diretora do Instituto é Kátia Pazinatto Gregati, que é advogada, profissão bem distante da área de saúde. Aliás, Kátia não atua nem na seara jurídica sendo proprietária de um salão de beleza no município de Barueri, em São Paulo. Denúncias e escândalos não são novidade para a advogada, que assina os contratos de gestão do Hospital Regional de Tucuruí. Em 2020, a prefeitura de Sorocaba-SP, instalou uma CPI para investigar irregularidades no contrato celebrado entre o executivo e o Instituto Diretrizes, responsável pela gestão das Unidades Pré-Hospitalares (UPH) das zonas norte e oeste da cidade. Kátia foi uma das convocadas para prestar depoimento. Isso porque os vereadores localizaram, na cidade de Osasco, três conselheiros integrantes da diretoria e do conselho fiscal do instituto, que afirmaram desconhecer o Diretrizes.


Antes de visitar os então integrantes do instituto, os vereadores enviaram cartas pedindo que os mesmos fossem à Câmara de Sorocaba, mas, por meio de um advogado, uma das mulheres disse desconhecer a entidade, versão apresentada por outras duas pessoas. No documento, essas pessoas aparecem como comerciante, empresária e administradora. Para os vereadores uma delas disse que está desempregada, outra disse que vende “sacolé” e a terceira vive de um benefício do governo. “Causa estranheza a união dessas pessoas”, afirmou a relatora da CPI à época.


Em seu depoimento a CPI, a advogada Kátia Pazinatto Gregati, que já era diretora administrativa e do Instituto Diretrizes afirmou ser responsável apenas pela análise da área documental e não técnica. Pelo estatuto, os diretores administrativos precisam ter habilidade comprovada em “áreas tecnológicas de administração hospitalar, gestão de saúde, educação ou gerencial”. Sobre sua experiência na área de saúde, Kátia disse que trabalhou em administração de escritórios de advocacia que prestavam serviço para a área da saúde.


Já em relação à composição do conselho fiscal do Instituto Diretrizes, o presidente Hudson Pessini e a relatora Iara Bernardi destacaram que seus membros não têm experiência na área médica e moram todos em um bairro humilde da cidade de Osasco. “É muito estranha a união dessas pessoas para gerir uma instituição com contratos milionários e a presidente ser proprietária de um salão de cabeleireiros”, afirmou a relatora.

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