• O Antagônico

Ulianópolis e a Prefeita. Os 100 Dias de Desgoverno. Os Escândalos e a Incerteza do Amanhã


Depois de 100 dias a frente da prefeitura de Ulianópolis, a emergente Kelly Cristina Destro, conseguiu o improvável: conquistar a antipatia e desconfiança de boa parte da população, a insatisfação do funcionalismo público e a instabilidade da economia local. E não era para menos. De salvadora da pátria, a “bonequinha de Luxo” para uns, “Pobre menina rica”, para outros, tornou-se o pesadelo daqueles que acreditaram nas suas promessas.


Sem a menor noção de gestão pública, Kelly Destro até que tem tentado buscar algum conhecimento ou noção para lidar com a coletividade e o cotidiano do executivo e seus meandros (matriculou a irmã, Secretária de Administração e Finanças, Kalitha Destro e seu cunhado, Chefe de Gabinete, Marcos Senna, em um curso de gestão pública). No entanto, a emenda tem saído pior do que o soneto. Perdida em seu reinado, Destro tem recebido orientação de Sidney Rosa, que recentemente perdeu a eleição para prefeito em Paragominas. Não é por acaso o número expressivo de nomes de Paragominas na folha de pagamento da PMU.


Tão logo assumiu o cargo, Destro tratou de mandar o povo, e os escrúpulos (se é que ela algum dia os teve) às favas. A primeira providência (ou vingança), foi ir a fora com o funcionalismo público, bem ao estilo “Dama de Ferro”, beirando os contos de bruxas. Nesse quesito, na visão de alguns servidores, para bruxa, no caso de Kelly, só lhe falta a vassoura !!


Tanta animosidade tem lá seus motivos. Nunca antes na história do município servidores foram tão maltratados por um gestor. E a revolta do funcionalismo ganha mais notoriedade por conta da seletividade do senso de justiça da prefeita. Explica-se: Enquanto inúmeros servidores tiveram salários reduzidos, a pretexto de enxugar a máquina pública, Kelly Destro colocou parentes e aderentes (e até alocou os funcionários de seu escritório de contabilidade) onde bem quis, no âmbito da primeiro escalão da administração municipal. Ela só esqueceu de combinar com o Ministério Público. Aliás, nunca antes na história de Ulianópolis o MP teve tanta atuação e tanta evidência, tudo graças a absoluta incompetência, inércia e incapacidade da prefeita em gerir a coisa pública. Isso para dizer o mínimo, sem falar nos indícios de fraude e superfaturamento.


E as denúncias são as mais variadas, refletidas, em prosa e verso, em vários procedimentos e recomendações do Ministério Público. Em um deles, no dia 25 de março, a promotora de Justiça Helem Talita Lira Fontes expediu Recomendação à prefeita e ao secretário de Saúde do município, para que não efetuem pagamentos à empresa Profissional MED LTDA. A mesma possui, em seu quadro social, Ricardo Vieira Barros de Lima, Luciano Vieira e Luiz Augusto de Oliveira Machado, sendo Ricardo, irmão de Marcelo Vieira Barros, um dos denunciados em duas ações penais que tramitam na comarca de Paragominas, na qual consta também, como denunciada, a própria prefeita.


Para a empresa, Kelly Destro, autorizou o pagamento de R$ 350 mil reais, valor correspondente a 50% do valor total do contrato. Isso sem a empresa prestar qualquer serviço à coletividade. Na Ação Penal, a prefeita e os médicos são acusados por associação criminosa, fraude a licitação e falsidade ideológica.


No quesito nepotismo a Promotoria de Justiça de Ulianópolis ajuizou ação civil pública contra a prefeita e o cunhado dela, Marcos André da Silva Sena, por improbidade administrativa. O MP requereu, liminarmente, a exoneração de Marcos Sena do cargo de Chefe de Gabinete. No documento, a promotora de Justiça Helem Talita Lira Fontes pede que a prefeita e o chefe de gabinete sejam condenados a perda da função pública, pagamento de multa civil e o ressarcimento integral do prejuízo causado ao tesouro municipal.


Além da flagrante inoperância, Kelly Destro flerta com o crime, sendo amiga pessoal de pessoas investigadas pela justiça. É o caso do técnico em contabilidade Gilson Brito dos Santos, amigo de longas datas que a prefeita tentou emplacar como presidente da comissão de licitação da prefeitura de Ulianópolis. A manobra não deu certo porque veio a tona o passado recente de Gilson, condenado em setembro de 2019, pela Justiça Federal a 10 anos de prisão como operador da quadrilha do megaestelionatário Menandro Freire, que inseriu dados falsos no sistema do Ibama, para acobertar milhões de metros cúbicos de madeira de desmatamento ilegal.


Por tudo que já se viu na controversa administração da prefeita, que usa gasolina para apagar incêndio, a população de Ulianópolis terá muitos meses de incerteza pela frente, uma vez que a cada dia que passa se torna evidente que, no afã de apostar no futuro, ao votar em Kelly a população da cidade deu um tiro no escuro, que pode render anos de retrocesso.

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